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Imagens mostram aceleração repentina

Por Fernando Rodrigues | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O avião da TAM que explodiu em Congonhas tocou a pista do aeroporto no local correto ao aterrissar, conforme indicam imagens de câmeras da Infraero. Em seguida, descreveu uma trajetória em linha reta, sem jogar para os lados nem demonstrar falta de direção. O Airbus-320 passou a apresentar aumento de velocidade a partir do segundo terço da pista. Continuou assim até descrever a curva para a esquerda e bater no prédio. O brigadeiro Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), confirmou ontem a informação de que a aeronave pousou no ponto correto, dentro do limite de 300 metros iniciais da pista.

O governador José Serra (PSDB), porém, disse que Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, informou não ser possível apontar as causas do acidente com base na filmagem. Seria necessário, antes, transformar as cenas num filme. O toque do avião no ponto correto da pista é um dos primeiros procedimentos para que um pouso ocorra dentro da normalidade. Em seguida, no caso de Congonhas, o piloto tem os 1.640 metros restantes da pista para frear - a pista tem 1.940 metros no total. Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI do Apagão Aéreo no Senado, assistiu ontem aos vídeos da aterrissagem. “Fica muito claro no trecho número três, o terceiro vídeo, que o avião acelera. Nós comparamos com outros pousos. O Airbus da TAM faz o trecho três em cerca de três segundos. Outros aviões levam 11 segundos.”

Como a extensão total da pista é de 1.940 metros, várias câmeras gravam os pousos de maneira seqüencial. Demóstenes disse ter visto seis trechos. Só há imagens do avião no solo. “No final, dá para perceber um clarão na tela, mas não estão gravadas as cenas do acidente”, declara o relator da CPI.

Outro fato técnico importante mostrado pelas imagens é a trajetória em linha reta do Airbus da TAM. Até a manhã de ontem, ainda havia dúvidas sobre se o equipamento teria derrapado, balançado e perdido a direção já ao atingir o solo. Mas ainda não está claro - nem as imagens mostram - a razão pela qual o avião passa a ter uma velocidade maior a partir de determinado trecho.

Há várias hipóteses, todas pendentes de comprovação. Uma delas é que poderia ter ocorrido aquaplanagem, quando o avião flutua e desliza sobre uma fina lâmina d’água - chovia anteontem em Congonhas. Nesse caso, o Airbus teria de ter descrito uma trajetória reta flutuando sobre a água, uma situação pouco comum. Como a aceleração mais nítida é a partir de um determinado ponto quase na metade da pista, é também possível que o piloto do Airbus tenha tomado ali a decisão de arremeter -abortar o pouso e decolar novamente. Somente as análises das caixas-pretas é que poderão dirimir essas dúvidas.

Outra polêmica também fica um pouco mais clara depois de analisadas as imagens: a importância ou não das ranhuras na pista principal de Congonhas. Essas ranhuras -ou “groovings”, em inglês e no jargão da aeronáutica - aumentam o coeficiente de atrito e aderência dos pneus com o solo. A pista usada pelo Airbus da TAM anteontem não tem as ranhuras. Ocorre que esse avião usa ao tocar o solo um freio aerodinâmico - revertendo as turbinas e acionando os flaps (as abas móveis localizadas nas asas). Só num segundo momento é que o piloto passa a frear também os pneus.

Como o avião tocou a pista no local correto (dentro da faixa de 300 metros), ficou em linha reta e logo depois começou a acelerar, a hipótese levantada dentro da Infraero é a de que a inexistência das ranhuras não teve papel relevante no desfecho do acidente - pois na parte final da pista o Airbus estava em processo de aceleração, e não de redução da velocidade.

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