Brasília - Os três principais partidos de oposição ao governo Lula, PSDB, DEM e PPS, repudiaram e cobraram retratação e até a saída do assessor do Palácio do Planalto Marco Aurélio Garcia. O PT, apesar de considerar o gesto “infeliz”, fechou-se em torno de Garcia, 1.º vice-presidente nacional da legenda.
Para a oposição, a atitude soou como desrespeito aos familiares das vítimas. O PPS pediu a demissão de Garcia. “É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República”, disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
Em nota, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que a atitude ofende a população. “O menosprezo ao drama das famílias e a falta de sensibilidade demonstrada repetidamente por membros do governo federal reclamam uma imediata e enérgica atitude do presidente, ao menos exigindo uma pública declaração de desculpas ao povo brasileiro, especialmente aos familiares das vítimas”, disse.
Roberto Freire, presidente do PPS, também criticou. “Está evidente que é insustentável a permanência desse senhor no governo, o que multiplicaria o escárnio do episódio.”
No PT, a tentativa ontem foi de descaracterizar o flagrante de Garcia como um insulto às famílias das vítimas. “O gesto foi de uma infelicidade enorme e veio numa hora inoportuna. A preocupação maior nesse momento não é com a responsabilização de uma ou outra parte, mas tentar novamente dar equilíbrio ao tráfego aéreo”, disse o líder do PT na Câmara, Luiz Sergio (RJ).
A Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência da República, vai discutir os gestos obscenos feitos por Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula. O órgão não tem poderes punitivos, mas faz recomendações sobre a posição a ser assumida pelos servidores federais.
De acordo com a comissão, há um conjunto de regras contidas no Código de Alta Conduta da Administração Federal que devem ser seguidas pelas autoridades federais. No dia 30, o assunto está previsto para ser colocado em pauta.