Apesar do baixo rendimento, a caderneta de poupança é a aplicação mais procurada pelo pequeno investidor. A segurança oferecida por esse tipo de investimento e o limite mínimo quase inexistente para depósitos são apontados como duas das principais razões que fazem da poupança a aplicação mais procurada.
Segundo o economista Paulo Roberto Soares, professor de história do pensamento econômico da Universidade Paulista (Unip), em Bauru, o investidor em caderneta de poupança normalmente possui renda média de até três salários mínimos, incluindo os aposentados, que mantêm uma fidelização muito forte com esta aplicação. A taxa de remuneração da caderneta de poupança varia entre 0,6% e 0,7% ao mês.
Ele lembra ainda que a poupança é bastante procurada por jovens estudantes ou recém-formados, que pretendem adquirir veículos ou casa própria. Ou seja, ela atrai basicamente o pequeno investidor. “Como não existe limite mínimo para aplicação, normalmente estes investidores guardam a partir de R$ 50,00 por mês”, diz Soares.
De acordo com um levantamento feito a pedido da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em 2003, com 2.594 pessoas em 127 municípios das cinco regiões geográficas do País, a maior parte dos poupadores pertence às classes C e D.
Diferentemente de outras aplicações, a caderneta de poupança é isenta de Imposto de Renda e os bancos não cobram taxa de administração. “Isso, de certa forma, acaba compensando para o pequeno investidor”, aponta o economista, que cita também a facilidade de resgate do dinheiro como outro ponto a favor da poupança.
A facilidade de resgate do dinheiro investido foi o que levou Valdinei José Gonçalves, 29 anos, estudante do 3º ano de economia, a abrir uma conta poupança há cerca de dois anos. “Minha principal preocupação é ter uma reserva de dinheiro e poder usá-la quando for preciso. E a liquidez da poupança é imediata”, justifica ele. Liquidez é o grau de velocidade com que uma aplicação pode ser resgatada.
No início, o estudante conta que mais tirava dinheiro da poupança do que depositava. Ele viu que não estava conseguindo fazer uma reserva decente. A saída foi optar pela poupança programada e reduzir os saques. O diferencial desse tipo de poupança é que o correntista não precisa fazer a transferência de dinheiro da conta corrente para a conta poupança todos os meses, já que o banco faz isso automaticamente mediante fixação de valor a ser poupado.
“Tive de passar por um processo de reeducação financeira. Deixei de gastar com outras coisas para poder poupar”, conta Gonçalves. No começo, ele conta que foi difícil e que encontrou resistência dentro da própria família. “Minha mulher me perguntava o que eu ia poupar se não sobrava nada”, lembra ele. “Quanto mais se ganha mais se gasta. Se não poupar, nunca sobra mesmo.”
Essa lição Carolina Benedette Gonçalves, 10 anos, aprendeu desde cedo. Apesar da pouca idade, já sabe o significado da palavra poupar e as vantagens que isso pode trazer. Todo o dinheiro que ela ganha dos avós, dos pais e de outras pessoas da família, ela guarda em uma caixa de madeira.
Com isso, já conseguiu comprar um gato persa, há cerca de um ano, e na semana passada comprou um par de tênis. “Eu vi e gostei. Como já tinha o dinheiro, decidi comprar. Ainda sobraram R$ 20,00”, relata Carolina, que completa 11 anos em agosto. “Foi meu presente de aniversário.”
Com o “cofre” quase zerado, sabe que agora será preciso retomar os depósitos se quiser continuar realizando seus desejos. Ela ainda não sabe onde vai gastar sua próxima reserva, mas seja onde for, Carolina já tem bem definido em sua mente pré-adolescente que se não poupar, dificilmente conseguirá comprar.