O Estado materializado num governo deve atender a todos os setores da sociedade, no entanto, torna-se imprescindível priorizar as populações mais carentes. A justiça social é o baluarte da democracia e sem ela surge o manto da insensibilidade e da desesperança.
Na segunda-feira retrasada os vereadores da Câmara Municipal de Bauru, em sessão extraordinária, discutiram alguns projetos de relevante importância para o nosso município, dentre os quais a vendas de terrenos públicos ociosos, cujo dinheiro será remetido para asfaltar dezenas de rua de bairros carentes da nossa cidade. Aliás, nem é preciso citar o transtorno que causa aos moradores o estado de penúria em que se encontra a maioria das ruas das vilas periféricas. E tal situação aumenta o descrédito que a classe política está sofrendo no âmbito popular e nada melhor do que obras e serventia para os munícipes para reverterem este quadro preocupante e alarmante.
As disputas políticas e o personalismo avarento devido às eleições que se aproximam jamais deve se tornar uma espécie de dificuldade administrativa, mesmo porque nós, o povo, não somos cobaias e queremos na prática do dia a dia o que foi prometido nas eleições passadas pelo prefeito e pelo senhores vereadores. A idéia de não se aprovar projetos para não beneficiar os atuais governantes é absolutamente ultrapassada e nos remete as épocas sombrias do coronelismo. No entanto, tenho plena convicção que isto não esta ocorrendo aqui em Bauru ,até porque o povo saberá reconhecer aqueles que se posicionaram a favor dos legítimos direitos populares.
Quanto a questão dos terrenos, não é justo que enquanto o município passa por uma pública e notória escassez financeira, ocorrer o fato de alguns particulares usarem os bens públicos sem nenhuma espécie de contrapartida seja ela financeira ou social. Os interesses particulares num estado justo jamais deve ultrapassar os interesses coletivos. Se a Prefeitura possui bens que poderão reverter em vantagens e políticas públicas para a sociedade, nada mais justo que usá-los. Aqui em Bauru o histórico de particulares usarem o solo público sempre foi uma constante, entretanto, eles estatizam o prejuízo e privatizam o lucro.
De antemão, já vou dizendo que estou defendendo o projeto de vendas de terrenos públicos municipais porque se revertido para o asfaltamento das periferias vai amenizar o sofrimento de muita gente e nem me passa pela cabeça defender esta ou outra administração. Apenas tem que ser dito que quando a iniciativa administrativa do executivo e do legislativo são boas, nada mais natural que apoiá-las. Quando forem ruins e prejudiciais à população, nada mais normal do que descer o cacete e de preferência acionar o Ministério Público.
PS1- É lamentável que as faculdades de Direito não incentivam os seus alunos para lerem e acompanharem a Constituição do Estado de São Paulo e as Leis Orgânicas do Município. Esses alunos terminam o curso totalmente órfãos dessas duas matérias. Vai se entender... PS2- O presidente Lula foi vaiado pelo público na abertura dos jogos Pan-Americanos. No entanto, lá não tinha povo porque o ingresso varia de R$ 40,00 reais a R$ 250,00, portanto inacessível a maioria da população brasileira. Porém, de uma elite que espanca empregada doméstica, queima índio e discrimina pobres e negros, pode se esperar tudo, menos postura e educação.
Pedro Valentim