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J.K. Rowling vai ao auge com último ‘Potter’

Por Luciana Coelho | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Não foi só Harry Potter e seus leitores que amadureceram no vácuo de dez anos entre o lançamento do primeiro livro da série, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, e o último, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”. No catatau despejado nas livrarias no primeiro minuto do último sábado (horário britânico), maturou também a escrita de J.K.Rowling.

Inventiva porém pueril nos dois primeiros livros, adolescente, ainda que habilidosa, no terceiro, no quarto e no quinto, política - e incrivelmente prolixa - no sexto, Rowling, no seu último intento, que ganha versão em português em novembro, achou o ponto para onde convergem fantasia, aventura, mitologia e uma densidade psicológica de que carecem muitos “livros adultos”.

Poucos estiveram lá, mas a companhia tem peso -Lewis Carroll (“Alice no País das Maravilhas”), Robert Louis Stevenson (“O Médico e o Monstro” e “A Ilha do Tesouro”), L. Frank Baum (“O Mágico de Oz”) e, dirão alguns, J.R.R.Tolkien (“A Trilogia do Anel). Rowling recorreu a todas essas fontes e a dezenas de outras com uma destreza impressionante para costurar referências e prover-lhes uma cara nova. Da mitologia greco-romana a Hollywood, e, com um quase-brilhantismo, à história contemporânea (nazismo, terrorismo, tudo sutilmente ali).

Sarcástica e sombria a escritora (britânica) sempre foi, mas as duas características que cresceram em progressão geométrica durante a série desembocam neste último volume de forma avassaladora. Ao contrário do que ocorreu em seus predecessores, “Relíquias da Morte” não deixa espaço para lamentos, dramas adolescentes, sentimentalismo fora de hora. Rowling é fria na condução dos destinos de seus personagens - a contagem de mortos ilustres, muitos deles queridos pelo leitorado, entra nos dois dígitos.

Tampouco há comiseração na hora de demolir imagens que ela tão trabalhosamente construiu para serem adoradas ou odiadas, invertendo papéis, incluindo nuances, expondo fraquezas, explorando vacilos. Revelações e respostas cascateiam pelos capítulos, mas ela os amarra de maneira tão sutil que a história continua a fluir com a mesma leveza de antes, como se tudo fosse claro, óbvio desde o primeiro instante.

Sente-se quase nada do temido ar de folhetim, com suas respostas esdrúxulas e apressadas de último capítulo. Encerrada a saga, a força simbólica das histórias de Rowling não deve ganhar a dimensão de coelhos brancos, poções que separem o lado bom do lado ruim, anéis do poder. Mas a fantástica Hogwarts e seus complexos personagens certamente terão seu lugar no imaginário desta geração e, muito provavelmente, das próximas.

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Último livro da saga deve bater recordes

Último livro da saga de J.K. Rowling, “Harry Potter e as Relíquias da Morte” deve bater os recordes anteriores da série. A editora Scholastic, que publica o livro nos EUA, divulgou que foram vendidos 8,3 milhões de cópias nas primeiras 24 horas.

No Reino Unido, as vendas chegaram a 3 milhões, segundo a editora Bloomsbury. No Brasil, os livros, em inglês, também venderam bem. De sexta até ontem, a Livraria Cultura havia comercializado mais de 5 mil cópias e a Saraiva, 9 mil.

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