Um dos grandes itens de segurança do veículo são os faróis. Servem para que possamos ver mais e sermos vistos melhor. Pouca gente se apercebe disso e os trata com o carinho e respeito que merecem. Todo farol automotivo tem pelo menos duas características básicas: um facho alto e outro baixo. Hoje em dia, com o advento dos faróis múltiplos ou estilizados, podem ter apenas um facho cada, mas devem trabalhar em duplas, oferecendo ambos os fachos ao motorista. Existem faróis de diversas formas e tecnologias diferentes, vamos conhecer algumas das mais importantes.
Os faróis podem variar de acordo com sua construção ou pela sua reflexão. As formas construtivas mais comuns são as de lâmpada selada e as de lâmpada removível. O primeiro caso são os famosos Sealed Beam da GE (aqui conhecidos pelos eletricistas como “silibim”, ai, ai...), que nada mais eram do que uma grande lâmpada, em que os filamentos eram selados dentro do refletor. Quando queimavam, precisava trocar o conjunto completo. Ofereciam em troca uma melhor vedação interna e maior preservação do refletor. Mas, devido à sua forma, o facho baixo era igual para os dois lados do veículo, não dando a assimetria típica dos fachos europeus, que privilegiam o lado direito da pista para evitar ofuscamento do motorista no sentido contrário.
A outra forma construtiva é a mais usual hoje em dia, que é a dos refletores com lâmpadas removíveis e, portanto substituíveis. Este tipo de construção permite uma variedade infinita de construções de carcaças refletoras, dando grande flexibilidade de projetos.
Quanto ao desenho do refletor, antigamente eram usados apenas os refletores parabólicos, em que se usava uma lâmpada de dois filamentos muito bem posicionados. Um destes filamentos se localizava no ponto focal da parábola, refletindo a luz para todos os pontos da mesma, dando um facho resultante reto usado como facho alto, e outro filamento deslocado para baixo, gerando uma reflexão na parte superior da parábola, que refletia o facho para baixo.
Outras formas mais atuais são os refletores elipsoidais ou elípticos, usados mais em faróis baixos. O desenho da superfície refletiva é calculado por expressões matemáticas e usam-se anteparos para bloquear parte da luz refletida, antes que esta passe por uma lente. Desta forma controla-se o posicionamento dos fachos baixos direito e esquerdo.
Os mais comuns hoje em dia são os refletores de superfície complexa, assim chamados por terem uma superfície refletiva multifacetada, cada uma delas com uma área espelhada com grau de inclinação específico para posicionar corretamente o foco. É um sistema muito eficiente do ponto de vista de aumento de visão e permite liberar a criatividade dos designers.
Já os carros importados de alto luxo usam uma evolução do sistema elipsoidal e o de superfície complexa anteriores, chamado de Super DE, sigla de “refletor elipsoidal de 3 eixos” em alemão. Este sistema oferece o mais alto aproveitamento da luz dentre todos os modelos apresentados, além do maior alcance para o facho baixo.
Quanto às lâmpadas, estas podem ser comuns (filamento de tungstênio com bulbo a vácuo), halógenas (filamentos de tungstênio com bulbos com gás inerte, como iodo) que duram muito mais que as comuns, ou as de xenônio, sem filamentos, mas com uma descarga elétrica que forma um arco dentro de um bulbo com este gás, formando uma luz azulada, porém muito forte. As lâmpadas seguem normas de construção muito rígidas, pois são itens de segurança e um eventual desalinhamento dos filamentos pode alterar a direção dos fachos e ocasionar um ofuscamento nos outros.
Os faróis podem ser também principais ou auxiliares, dependendo de sua posição relativa no veículo. Os faróis principais geralmente são os de facho alto e baixo. Os auxiliares podem ser os de neblina (com facho espalhado e mais próximo da frente do carro), que devem ser instalados o mais baixo possível da parte frontal, e os de longo alcance ou de milha, com facho direcional forte e reto, instalados acima do pára-choque frontal.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.