Esportes

Artigo: O Pan das vaias

Por Adriana Giachini | Da APJ, especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

O Pan do Rio de Janeiro virou o Pan da vaias. Começou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura. Estendeu-se aos argentinos e norte-americanos a cada competição dos “rivais” estrangeiros. Perdeu-se a graça e a compostura. A torcida brasileira ou parte dela - esqueceu-se da civilidade.

O maior exemplo foi a confusão no judô, quando a brasileira Érika Miranda foi derrotada pela cubana Sheila Espinosa e ficou com a prata da categoria até 52kg. Revoltados com a decisão do juiz que acusou uma infração da judoca brasileira na prorrogação (o chamado golden score) - os torcedores atiram objetos no tatame.

Fizeram Pior. Deram as costas para o pódio na hora da premiação e cantaram o hino nacional para que não se ouvisse o de Cuba. A falta de educação também foi explicita nas competições da ginástica. Com um agravante, as vaias chegaram a ser lideradas por Oscar, ídolo do basquete brasileiro. Esperava-se que, por ter sido atleta, ele desse exemplo. E deu. Mas do que não se deve fazer.

Anteontem, durante a final do basquete feminino, não foi diferente. A torcida vaiou a equipe vencedora (Estados Unidos); o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, e até um grupo de mímicos que se apresentou durante o intervalo da partida.

No atletismo, modalidade que mais exemplifica a prática esportiva, a cena tem se repetido. Nem atletas de países pobres como as Ilhas Caribenhas são poupados das ofensivas vaias. No início incentivadora a torcida brasileira perdeu o espírito esportivo, aquele segundo o qual o importante é participar.

A culpa, em parte, vem do futebol onde, muitas vezes, o rendimento do time e até a vitória importa menos do que a chance de ofender o adversário. Quem freqüenta os estádios brasileiros sabe bem disso.

Ë pena que seja assim também no Pan. Esquece-se que esporte é feito de vitórias e derrotas, de superações e decepções. A exemplo da carreira de Janeth, que se despediu da seleção brasileira durante o Pan. A exemplo de Diogo Silva, campeão no taekwondo, apesar do salário de R$ 600, insuficiente para bancar sequer seus treinamentos. Nenhum deles, entretanto, protestou com vaias.

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