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Conselho pede atestado médico no PSC

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Os médicos do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru não emitem atestado aos atendidos na unidade há anos. Mas esse assunto polêmico voltará a ser discutido pelos membros do Conselho Gestor do PSC, que cobram da Secretaria Municipal de Saúde a emissão do documento. De acordo com Rosemary Lopes de Moura, coordenadora do conselho, a unidade de urgência e emergência emite apenas uma declaração informando o horário que o paciente permaneceu no local, o que não é aceito por algumas empresas.

Para o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal da Saúde, José Roberto Berber, apenas os médicos que acompanham a evolução dos pacientes, como os das unidades básica de saúde, têm condições de emitir o atestado.

A conselheira pondera, porém, que muitas pessoas perdem dia de trabalho ao procurar o PSC para serem consultadas por um médico. Mas ao solicitar o atestado que comprave o atendimento e abone a falta, os atendentes da unidade de urgência e emergência negam o pedido. “Mais de 30% dos médicos que atuam nos postos estão de licença. Se a pessoa não vai ao PSC, não é atendida. Mas lá não consegue atestado e acaba perdendo o dia de trabalho”, observa Moura.

Através da assessoria de comunicação da prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os usuários do PSC recebem uma “declaração de comparecimento”, quando solicitam. No documento, constam horário de entrada e saída da unidade. Porém, a conselheira destaca que muitas empresas não aceitam o tal documento. “O que acontece é que muitas pessoas pedem, tentam explicar, se humilham, mas não conseguem o atestado”, diz.

Berber pondera que o médico do PSC atende apenas urgência e emergência e não conhece o prontuário do paciente para avaliar quantos dias ele levará para se recuperar. Ele cita, como exemplo, um caso de pneumonia. “O plantonista do PSC dá o diagnóstico e encaminha o paciente à unidade básica. É lá que o médico, que já conhece o usuário, vai avaliar quantos dias são necessários para que a pessoa se recupere. Ele sabe disso porque conhece o histórico do paciente”, argumenta.

Exceções

Berber também revela que em casos pontuais o médico do PSC pode emitir atestado. “São situações bem características. Por exemplo: uma pessoa que chega com um corte severo, uma fratura. O médico observa que a pessoa não tem viabilidade de ir atrás do atestado e emite um”, conta Berber, deixando claro que isso só acontece em circunstâncias bem determinadas. “Nossa preocupação é com urgência e emergência. Quem faz o acompanhamento posterior, está mais apto a dar o atestado. Mesmo porque a cada dia é um médico diferente que atende no PSC e não dá para verificar a evolução do paciente”, observa.

Outro ponto levantado por Berber é que se o PSC passar a emitir atestados, o atendimento ficará abarrotado de pessoas que só estão em busca desse documento. “A nossa meta é diminuir cada vez mais o número de pessoas que procuram o PSC. Se os médicos começarem a dar atestados, vamos dar um passo atrás nisso”, diz. Para Moura, isso não deve acontecer. “É generalizar. Não é porque foi até o PSC que o paciente quer atestado”, diz.

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