Não é raro o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Bauru fiscalizar e encontrar irregularidades nas condições de trabalho oferecidas aos empregados rurais contratados para atuar na região. Porém, Altair Toniolo, o Rocinha, diretor do setor de Desenvolvimento, Geração de Emprego e Renda de Lençóis Paulista, lembra que os empreendedores da área, instalados na cidade, têm se preocupado cada vez mais em atender à legislação.
“Eu tenho percebido uma preocupação muito grande por parte dos parceiros e da Associação de Plantadores de Cana do Médio Tietê (Ascana) em atender à legislação. É um setor que está em evidência e por isso mesmo acaba sendo mais fiscalizado”, comenta.
Estudo do professor Rodolfo Hoffmann, do Instituto de Economia da Unicamp, revela que a remuneração do trabalhador rural do setor canavieiro é, em média, de R$ 810,00 mensais. É a terceira melhor remuneração, sendo superada apenas pelas atividades do café, que é de R$ 837,30 e da soja, que é de R$ 945,70. Estas duas últimas culturas têm um índice de mecanização superior.
“Evidentemente que nem tudo esta 100%, mas acredito que (a cultura canavieira) é um setor que vai passar por uma transformação grande ainda”, conclui Rocinha.
Vale lembrar que o estudo de Hoffmann, baseado na Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais), também avaliou os índices de acidentes de trabalho sendo que o setor da cana-de-açúcar aparece na 61.ª colocação, quando comparado com outros setores - tanto agrícolas quanto industriais.
Sobre a taxa de mortalidade, ainda segundo o estudo, o setor da cana ocupa o 150.º lugar, atrás de várias outras atividades tais como a produção de fungicidas, a criação de ovinos e suínos e os cultivos de soja, algodão e café.