A diretoria do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) vai encaminhar à Secretaria Municipal de Saúde um relatório sobre os problemas de atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC) anteontem. Usuários aguardaram por até 10 horas para consultar-se com ortopedista. Para José Roberto Berber, diretor do DUE, os funcionários deveriam ter comunicado os pacientes que um ortopedista não compareceu por motivos de saúde.
Conselho Gestor avalia que questões políticas prejudicaram os usuários. Com o relatório, a secretaria poderá ou não solicitar à Corregedoria Administrativa da prefeitura a instauração de um processo para apurar o caso.
Através da assessoria de comunicação da prefeitura, a Secretaria de Saúde informou que o atendimento PSC anteontem foi normalizado por volta das 20h30. Ontem, a secretaria calculou que o tempo médio de espera era de 30 minutos. Trabalharam ontem à tarde quatro clínicos-gerais e um ortopedista. Mas ainda há um clínico-geral em licença-médica.
De acordo com Berber, apesar de reclamações de demora, o número de atendimentos realizados anteontem foi considerado abaixo do normal. Enquanto diariamente cerca de 350 pacientes passam pelo PSC, anteontem foram atendidas 240 pessoas. O problema foi que o ortopedista que iria atender pela manhã e pela tarde faltou. Ele viajou a São Paulo para fazer um exame de vista considerado complexo.
Como muitos atendimentos eram dessa especialidade, os usuários tinham duas alternativas: esperar o ortopedista do plantão noturno ou voltar depois das 19h. Ou seja, usuários que chegaram com dores musculares pela manhã não foram informados que o ortopedista só viria à noite, o que causou o transtorno.
“Faltou essa orientação dos funcionários aos pacientes. As pessoas deveriam ter sido informadas”, avalia Berber. Alguns pacientes revoltados com a demora iniciaram um tumulto. Foi necessária a presença de uma equipe da Polícia Militar para acalmar os ânimos.
Para apurar o incidente, o DUE vai elaborar um relatório sobre o caso. “Vamos colher dados e informações do que aconteceu ontem (anteontem). Esse material será entregue quinta-feira ao secretário (Mário Ramos), que avaliará se envia ou não à Corregedoria”, explica Berber.
De acordo com o diretor, como todos os casos do urgência e emergência foram atendidos e não foi averiguada nenhuma omissão de socorro. Para ele, apesar do transtorno, não houve falha grave.
“Hoje (ontem) verifiquei ficha por ficha do plantão. Os casos graves foram atendidos; os ambulatoriais, tiveram que aguardar. Esse é o papel de um pronto-socorro. E mesmo esses casos foram atendidos quando o ortopedista da noite chegou”, observa.
Para que problemas como esse não ocorram, Berber avalia que a saída é investir nas Unidades Básicas de Saúde. “Elas têm que funcionar também no período noturno, para o pessoal que trabalha durante o dia ter condições de consulta. Se a população conseguisse atendimento em seu bairro, não iria até o PSC”, diz.
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Usuários
A coordenadora do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central, Rosemary Lopes de Moura, revela que só deixou a unidade de saúde depois das 1h de ontem. Apesar da assessoria de comunicação da prefeitura informar que o atendimento foi regularizado às 20h30, para a coordenadora, só depois das 22h30 a situação estava normalizada.
Moura considera a falta de comunicação entre funcionários e pacientes crônica.
“Acredito que houve falhas terríveis de várias pessoas da equipe do dia. O pessoal da noite só deu conta porque, além de formar uma boa equipe, todos compareceram”, avalia. Moura informa que o conselho também encaminhará à Secretaria Municipal de Saúde um relatório sobre o incidente.