Hoje é dia de ouvir os poetas, mas eu não sou um deles
Eu mal conheço a língua pátria, eu apenas vivo por ai a dizer o que sinto
Ah! E como é bom dizer o que se sente.
Eu gosto de falar de sem terras e de outros injustiçados,
Gosto de falar da escravidão que ainda existe,
Gosto de falar dos negros envergonhados pelas cantos e becos dessa sociedade porca
Hoje eu quero falar das mulheres que trabalham, votam e buscam a liberdade de amar,
Mas que ainda apanham dentro de seus lares que não passam de senzala e tronco, onde o marido é sr. de uma única escrava.
Hoje eu quero falar de todas as minorias, quero falar dos perseguidos que optaram pelo que não é padrão.
Quero falar dos explorados e abandonados de todas as idades.
Ouço sorriso de escárnio nas entranhas de minha alma quando vejo seres humanos em condições de trapo numa sociedade que se diz cristã.
Eu sou poeta, mas não acredito no futuro da nação, nessa nação infantil e sem escola, nessa nação adolescente e sem emprego nessa nação corrupta em todas as instância do poder
Eu sou poeta porque não acredito em nada que vá alem da vida e da luta
Quando eu morrer não avisem os poetas, eles poderão querer me levar para o céu.
Lázaro Carneiro