Bauru envia mais cartas do que recebe. Em média, por mês, são postadas 115 mil correspondências nas agências dos Correios da cidade, enquanto os carteiros entregam cerca de 98 mil objetos entre cartas social, simples e comercial, Sedex, entre outros, que chegam a moradores de Bauru de todas as partes do País e do Exterior. O dado curioso é que dois terços das cartas recebidas na cidade são para bairros da periferia.
“Somos mais exportadores do que importadores de objetos”, observa o gerente de vendas no varejo do Correios, Marcos Venicio Barbosa da Costa. Bauru recebe em média 17 mil mais objetos do que envia. Costa considera a diferença entre postagem e recebimento normal, mas o fato de a cidade ser sede administrativa de muitos órgãos públicos e concentrar universidades, sindicatos e associações representativas de categorias, pode influenciar.
O sindicalista Abel Barreto, 54 anos, diretor do Sindicato dos Empregados Rurais de Duartina e Região, por exemplo, prefere postar as 50 cartas mensais que envia do sindicato em Bauru por causa da comodidade. “Aqui é melhor porque tem bancos”, diz ele, que costuma fazer serviços bancários e postar as cartas no mesmo dia. Abel aproveita para enviar também as suas correspondências pessoais e declara que gosta muito desse tipo de comunicação. “E quem não gosta? A carta é antiga, mas continua autêntica, além de ser uma maneira gostosa de se expressar”, observa.
Costa lembra que dois grandes clientes dos Correios em Bauru são os presídios, que recebem muitas correspondências de cartas e objetos, e as universidades, que costumam encomendar grande volume de livros e equipamentos pelos Correios. Ele também observa que as correspondências particulares não diminuíram com a popularização da Internet. “As pessoas preservam a carta como um meio de comunicação afetuoso, caloroso, e isso não se perdeu”, analisa.
O preço da postagem incentiva a troca de correspondências. A mais barata, a carta social, custa apenas R$ 0,01. Para se enquadrar neste critério, ela precisa pesar até 10 gramas, mas pode ser remetida para qualquer lugar do Brasil. O serviço é destinado à pessoas físicas de baixa renda, que devem escrever a frase “carta social” no canto inferior esquerdo do anverso do envelope.
O valor simbólico da postagem da “carta social” pode ser um dos fatores que levam a periferia a receber mais cartas que o restante da cidade. Para correspondências que não se enquadram na “carta social”, é necessário selo para postagem.
O mais barato custa R$ 0,60 – a quantidade de selos necessários depende do peso da carta. A carta ainda é muito usada por aqueles que não têm acesso à Internet. A estudante Thais Baltazar Marques, 17 anos, escreve para a sua prima que mora em Guarulhos e que não tem e-mail. “Também mando fotos, conto as novidades sobre paqueras e tal”, conta, entre risos.
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Selos
Enquanto uma carta comum pode ser enviada por apenas R$ 0,01, existem selos antigos, fora de uso, disputados por colecionadores, que chegam a pagar R$ 20mil pela relíquia. E há quem está disposto a gastar muito para ter um selo raro na coleção. Os da primeira série brasileira, o “Olho de Boi”, que eram comercializados por 30, 60 e 90 réis em 1843, hoje são vendidos por R$ 12 mil a unidade pelos colecionadores. A série “Inclinados”, do ano seguinte, é ainda mais cara. Para conseguir ter um desses selos, o investimento pode variar entre R$17mil e R$ 20 mil.