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Vilões da vida real


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O que seriam dos filmes, novelas e assemelhados sem os vilões? Eles são o tempero que dá gosto ao espetáculo. Indivíduos tão facínoras que, muitas vezes, apenas a alcunha de “vilão” não é suficiente para descrevê-los. O ideal seria chamá-los de “assassinos psicopatas do mal” (a expressão “do mal” parece ser redundante, mas é necessária para confirmar o grau de maldade deles). Os vilões cinematográficos roubam dos velhinhos e das criancinhas, seqüestram a mocinha, batem no mocinho e ainda chutam o cãozinho Totó. Tudo isto emitindo boas gargalhadas sádicas e sinistras, demonstrando que eles podem ser perversos, mais ainda assim conservam o bom humor. Sem eles os filmes de duas horas sofridas e emocionantes se transformariam em um final feliz melado e chato de uns dez minutos.

De suas mentes doentias parte toda emoção da trama, pois eles se matam literalmente para que o filme seja um sucesso. Odiamos os vilões, esquecendo que são eles que nos fazem simpatizar com os mocinhos (aqueles seres legais, ingênuos e honrados que não sobreviveriam um dia sequer no mundo real). O mocinho é sempre perfeito, consegue disparar o tiro certeiro, desviar com facilidade de uma chuva de balas, sobrevivendo as piores armadilhas criadas pelos vilões, tudo isto sem desmanchar o seu incrível penteado. Porém, um filme sem mocinhos conseguiria ser interessante (provavelmente seguindo a linha do terror), dispondo de um enredo recheado com doses de aventura e suspense. Agora imagine um filme sem o vilão, seria lago mais ou menos assim: Mocinho e mocinha se conhecem. Mocinho e mocinha se apaixonam. Mocinho e mocinha se casam (você não chegou a ver o casamento, pois já havia trocado de canal para ver uma reprise dos “teletubbies”, que parecia estar mais interessante). Enfim, apesar de suas perversidades, os vilões dos filmes são realmente necessários para que seja dado um toque todo especial a história que está sendo exibida. Infelizmente existem vilões muito piores do que eles na vida real. Criaturas sem escrúpulos. Verdadeiros monstros que fariam conde drácula e lobisomem passarem mal se vissem suas atrocidades. Gente mesquinha que destrói vidas. Diferente dos vilões cinematográficos, que aparecem em cena com suas risadas loucas e roupas excêntricas, estes vilões se vestem de forma normal. Agem como se fossem seres humanos, mas quando desviamos os olhos eles atacam, sem que exista um mocinho para salvar quem amamos de sua sede assassina. O resultado aparece nos jornais, estampando toda crueldade desses seres bestiais que fazem do mundo um lugar pior para se viver. Os monstros que chocaram o Brasil há poucos dias, pela selvajaria com que tiraram a vida de uma criança inocente, são exemplos trágicos de que o ser humano infelizmente ainda consegue ser o mais inumano dos seres. Mas, não quero terminar meu texto falando desses dejetos vivos. Prefiro encerrar lembrando que o martírio daquele anjinho de seis anos (praticamente a idade dos meus filhos), novamente uniu as autoridades e a própria sociedade na luta contra esta epidemia de violência nacional. O pequeno João se transformou em uma chama de luz. Agora depende de nós fortalecer esta luz, convertendo-a em uma grande onda de energia. Focada na busca por uma nação melhor, onde crianças não precisem se transformar em anjos para que certas decisões sejam tomadas.

O autor, Antonio Brás Constante, é colaborador de Opinião

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