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Luiza Carvalho: ‘Quero devolver a derrota para as cubanas’

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 5 min

Nascida em São Paulo, Luiza Carvalho mudou-se para Bauru aos 10 anos e foi no Bauru Tênis Clube onde começou a praticar o esporte que dez anos depois a levaria ao Pan-Americano do Rio de Janeiro.

Atleta da Seleção Brasileira feminina de pólo aquático, Luiza é titular absoluta da equipe comandada por Roberto Chiappini e em entrevista ao Jornal da Cidade revelou que quase foi cortada da equipe por contusão. Além disso, Luiza contou curiosidades do Pan, falou da tristeza após a derrota para as cubanas e de seu futuro na seleção. A seguir leia os principais trechos da entrevista da bauruense ao JC.

Jornal da Cidade - Como foi seu início no pólo aquático?

Luiza Carvalho – Comecei em 1997. Eu vim para Bauru, fiquei sócia do BTC e acabei entrando no pólo. Eu sempre gostei de esportes, antes tinha feito natação, basquete, vôlei. Então, eu achei um máximo um esporte com água e bola.

JC - Você defende qual equipe atualmente?

Luiza - O Pinheiros, em São Paulo, esse é o meu segundo ano lá. Saí de Bauru em 2002 e fui jogar no Paulistano, onde fiquei quatro anos. E depois fui para o Pinheiros.

JC - Quando foi sua primeira convocação para a Seleção Brasileira?

Luiza - Foi em 2000, eu jogava por Bauru ainda. Fui convocada para a seleção júnior. Quando eu treinava com a júnior me chamaram para treinar na seleção adulto também. Em 2001 eu fui cortada. Só em 2002 me firmei na seleção adulto.

JC - Este foi o seu primeiro Pan?

Luiza - Sim. Eu treinei para ir para o Pan de Santo Domingo, mas fui cortada na véspera.

JC - Hoje você é titular da seleção?

Luiza - Eu sou titular, mas no Pan não comecei jogando porque tive uma lesão no ombro e fiquei muito tempo sem treinar. Eu corri o risco de ser cortada. Nos treinos eu nadava com um braço só e fui melhorando aos poucos. Fomos treinar nos Estados Unidos antes do Pan e voltei a jogar com os dois braços mesmo com dor. O médico e o técnico me acompanharam e no final dos treinos eu já melhorei e consegui jogar sem dor.

JC - Então, você correu o risco de não ir para o Pan?

Luiza - Era um risco, mas eu, o médico e o técnico resolvemos arriscar e deu certo.

JC - Como é a emoção de disputar um Pan-Americano no Brasil com o apoio da torcida?

Luiza - É maravilhoso. Não tenho palavras. Quando entramos no Maracanã meus olhos encheram de lágrimas, não sei como explicar. Foi a emoção mais forte que eu já senti em toda minha vida. Acho que nunca vou esquecer.

JC - No seu ponto de vista, o que aconteceu com a equipe na derrota para as Cubanas, já que haviam vencido na partida anterior?

Luiza - Como no primeiro jogo tínhamos ganhado bem, ganhado fácil de um time que é sempre um saco jogar porque elas vem sempre na maldade. Mostramos nossa superioridade nesse primeiro jogo, o que era para acontecer na final porque também fizemos um bom jogo contra o Canadá. Aí jogamos para disputar o bronze e eu não sei o que aconteceu. Parecia que nosso time não estava lá, parecíamos figurantes. Se jogássemos o básico que a gente sabe, agente tinha ganhado. Não foi que Cuba fez um excelente jogo. Elas fizeram o “joguinho” delas e conseguiram ganhar. Acho que o erro foi um pouco de cada uma. Estamos procurando uma resposta até agora.

JC - Você marcou quantos gols nesse Pan?

Luiza – Acho que marquei uns dez em sete jogos.

JC - Parece que o clima não ficou muito bom na seleção depois dessa derrota no Pan?

Luiza - É, muitas meninas já falaram que vão parar, pois não conseguem conciliar clube, trabalho e seleção. E a comissão técnica ficou muito abalada. É capaz que mude tudo daqui para frente.

JC - E você, vai continuar? Qual seu objetivo dentro da Seleção Brasileira?

Luiza - Vou sim. Vou treinar para disputar o pré-olímpico no ano que vem. Depois que eu vi a divulgação do próximo Pan, no México, me deu muita vontade de estar lá e devolver essa derrota para as cubanas.

JC - Os americanos são superiores na maioria dos esportes. Como é a relação com eles? Os atletas demonstram essa superioridade?

Luiza - Tem uns que sim. Mas a maioria não. Eles treinam para isso e são realmente muito melhores, mas eles ganham para isso.

JC - Você era procurada para tirar fotos durante o Pan?

Luiza - Sim, nossa isso foi muito legal porque eu sempre admirei algumas pessoas que vieram tirar fotos comigo. É engraçado. A gente nunca passou por isso. No Pan tinha brasileiro que reconhecia a gente pois assistiam aos nossos jogos isso foi muito legal.

JC - Você viu alguma obra inacabada no Pan?

Luiza - Não. O que eu vi é que algumas coisas pareciam que tinham sido feitas às pressas. Por exemplo, os apartamentos. A cama de muita gente quebrou. Peças do banheiro de pendurar coisas, colocar sabonete, xampu eram coladas na parede e a de todos os quartos caíram. Mas quanto à organização, segurança eu não tenho do que reclamar.

JC - Como eram as recomendações sugeridas pelo COB de como agir durante o Pan-Americano?

Luiza - É, a gente recebeu um caderno com vários deveres. Não podíamos atualizar as fotos do orkut durante o Pan, por exemplo. Não podia usar outra roupa a não ser o uniforme. Tivemos que assinar um termo de compromisso de imagem. A gente acaba entrando nas regras sem perceber, era regras que não incomodavam.

JC - Você também vaiou o Lula na cerimônia de abertura?

Luiza - Eu fiquei quieta. Eu achei feio. Não que ele não mereça, mas acho que fica feio na cerimônia de abertura de um Pan-Americano o povo vaiar seu presidente perante o mundo todo.

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