Cultura

Leitura para uma vida melhor

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Aquiles, Bentinho, Peri, Helena, Riobaldo - personagens dos quais a maioria das pessoas já ouviu falar, mas que quase ninguém conhece de fato. Em um país que registra um dos piores índices de leitura do mundo - 1,8 livros por habitante ao ano, segundo dados do Ministério da Cultura - o contato da população com a literatura pode ser considerado, no mínimo, abaixo do desejável (para não dizer sofrível).

Hoje, é possível afirmar que as obras de auto-ajuda ou de caráter mais religioso predominam no cardápio literário do brasileiro. Em Bauru, a situação não é muito diferente da encontrada no restante do País.

Nas estantes das livrarias, títulos que prometem levar ao público a receita da felicidade duradoura e inabalável reinam absolutos. Enquanto isso, os grandes clássicos vegetam em recantos obscuros das prateleiras das lojas.

Nem parece que essas obras ajudaram a moldar aquilo que se convencionou chamar de Pensamento Ocidental. Quando o nome Aquiles é mencionado, a primeira imagem que vem à cabeça de uma adolescente qualquer certamente não é a do orgulhoso guerreiro que o grego Homero imortalizou em seus versos.

O mais provável é que no lugar da figura opulenta e encolerizada do rei dos mirmidões, surgissem as expressões delicadas e o sorriso de bom moço do ator norte-americano Brad Pitt, que encarnou o herói no filme “Tróia”, em 2004.

Úteis

Embora os livros de auto-ajuda não carreguem em si a “aura” grandiosa das obras clássicas, seria injustiça dizer que eles não possam ser úteis às pessoas no dia-a-dia. Graças à leitura de “Casamento, Divórcio e Novo Casamento”, de Hernandes Dias Lopes, a manicure bauruense Alessandra Rodrigues, 23 anos, acredita levar com mais serenidade a vida a dois.

“Quando peguei o livro pela primeira vez, no ano passado, eu ainda era noiva. Na medida em que fui me aprofundando no texto, fui descobrindo importantes lições que estão me ajudando a ser feliz ao lado do meu marido”, pensa ela, que é evangélica e está grávida de cinco meses.

Livros de temática mais empresarial, como a série “Pai Rico, Pai Pobre”, dos norte-americanos Robert T. Kiosaky e Sharon L. Lechter, também costumam ser de grande utilidade para o público, principalmente no caso daqueles que estão em busca de sucesso profissional e financeiro.

“Essas obras me ajudaram a compreender melhor a vida. Elas tratam de uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode fazer, que é ganhar dinheiro”, diz o engenheiro civil carioca Luiz Felipe Machado Santana Filho, 57 anos, que vive em Bauru há quase uma década.

Mesmo obras com títulos assustadores, como “Matemática Financeira com HP”, de José Dutra Vieira Sobrinho, podem render experiências extremamente proveitosas aos leitores. Em meados dos anos 80, o bancário Waldemar Mendes Caetano resolveu encarar o tratado sobre o uso das calculadores científicas manuais e até hoje não se arrepende.

Muito pelo contrário. “Graças a esse livro, consegui ser promovido a gerente no banco”, diz ele, que hoje tem 67 anos de idade e está aposentado.

Sinceridade

Se uma obra poderá ou não ser aproveitada de maneira positiva pelos leitores, tudo dependerá da sinceridade da pessoa que a concebeu. Essa é a opinião da escritora bauruense de livros infantis e de auto-ajuda Marina Monteiro Cardoso.

“Se você escrever sobre coisas verdadeiras, certamente será capaz de ajudar ao próximo”, pensa a autora de “A Viuvez - Como Enfrentá-la”. Publicado pela Editora Ave-Maria, o livro já foi traduzido até para o espanhol. Na obra, Cardoso relata experiências que vivenciou após a morte do marido.

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Marina Monteiro Cardoso

Literatura para crianças e adultos

Depois de passar 30 anos trabalhando como professora em escola pública de Bauru, Marina Monteiro Cardoso resolveu se tornar escritora. Na época, ela tinha 62 anos de idade. Catorze anos e quase 20 livros depois, ela se divide entre obras infantis e para adultos. Acompanhe, abaixo, os títulos preferidos da autora que já teve trabalhos traduzidos até para o espanhol. Ela indica:

• “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, de Cora Coralina

• “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles

• “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry

• “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo

• “Dom Casmurro”, de Machado de Assis

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