Se a tese de que a profissão de costureiras está condenada a desaparecer for verdadeira, então destino semelhante deverá se abater sobre as lojas de armarinho e de tecido. Embora já não contem com a mesma quantidade de clientes do passado, esses estabelecimentos conseguem resistir com tranqüilidade às transformações ocorridas no mundo da moda.
Em uma loja de armarinhos localizada na rua Treze de Maio, Centro, a movimentação do público continua nos mesmos níveis de 50 anos atrás. Palavra da proprietária Nádia Bitar, 40 anos. “Desde que meu pai fundou esse comércio, na década de 1950, a nossa clientela continua do mesmo tamanho. Nem aumentou, nem diminuiu”, afirma ela.
Apesar da quantidade de compradores na loja ser a mesma do passado, Nádia garante que a natureza dos produtos comercializados mudou bastante. “Antes, as costureiras vinham até aqui em busca de artigos básicos, como linhas e botões. Hoje a coisa é diferente. As pessoas descobriram que podem transformar as roupas em obra de arte”, diz.
Segundo ela, produtos usados para customização de calças, blusas e vestidos são os mais procurados pelos clientes. Oficinas de máquinas de costura também têm conseguido se manter em meio às transformações ocorridas no mercado da confecção.
“A procura varia de acordo com a época. À vezes, a economia vai indo bem e as costureiras têm bastante encomendas - nesse caso, sobra bastante trabalho para nós. Mas quando as coisas estão indo mal no País e elas ficam sem serviço, daí não tem jeito. A gente tem de se virar para conseguir uns trocados”, diz o mecânico Adenilson de Nogueira, 41 anos.
Nogueira é dono de um oficina de conserto de máquinas de costura no Parque Bela Vista (zona oeste de Bauru) e garante que, nos últimos meses, não vem dando conta da enorme quantidade de serviços que lhe é requisitada.
Entre os setores relacionados à atividade das costureiras, as lojas de tecido parecem ter sido as mais prejudicadas pelas mudanças ocorridas no mercado da confecção. O vendedor Jesus de Andrade, que atua no ramo desde os anos 80, calcula que a procura por materiais para a fabricação de roupas tenha caído em 50%, nas últimas décadas.
“Já não é tão bom como antes, mas ainda dá para sobreviver. Sempre haverá alguém que não se encaixe nas medidas da indústria precisando mandar fazer uma calça ou uma blusa na costureira”, acredita Andrade, que atualmente é funcionário em uma loja de tecidos localizada no Calçadão, Centro.