Muita gente deve começar o ano de 2008 ainda pagando o presente do Dia dos Pais. Com o crédito fácil e menos burocrático, o consumidor não pensa duas vezes para optar por parcelamentos longos, que em muitos casos chegam a ser de seis, dez e até de 12 meses.
Para muitas pessoas, o valor da compra até cabe no orçamento, mas os incentivos pela compra a prazo acabam levando o consumidor a parcelar a fatura.
Representantes do mercado varejista em Bauru avaliam que, em média, as compras a prazo estão sendo divididas em seis pagamentos. “É a opção mais comum entre os consumidores que compram com cartão de crédito. Há também quem prefira fazer em dez pagamentos, mas isso ocorre em menor escala”, comenta Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC). Segundo ele, quem não trabalha com cartão bancário, recorre aos tradicionais carnês. “Com certeza, é a segunda opção”, acrescenta.
Cássio Carvalho, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), também constata que o consumidor, em geral, prefere comprometer seis meses do ano com o pagamento de presentes e outras compras do que lançar mão do dinheiro na hora. Para os comerciantes, é uma forma de aumentar as vendas.
“Quanto mais facilidades e opções de pagamento você oferece para o consumidor, mais ele vai comprar no seu estabelecimento”, ressalta.
Por outro lado, Carvalho alerta sobre o risco da inadimplência. “Quanto mais elástico é o pagamento, maior o risco de inadimplência, seja com cartão, cheque ou carnê”. Ele explica ainda que, embora o cartão dê garantia total de pagamento ao comerciante, a empresa acaba tendo de arcar com taxas maiores pelo serviço. É uma forma da operadora se precaver contra maus pagadores.
A tendência do consumidor de financiar as compras em planos a perder de vista mostra um despreparo das pessoas para lidar com dinheiro, segundo avalia o economista Fernando Pinho. “A população brasileira carece de conhecimento sobre educação financeira. Além disso, ela é imediatista, ou seja, não quer ficar com o compromisso imediato de liquidar o valor da compra, que seria bem melhor e seguro”, completa.
Pinho ressalta que, antes de fechar negócio, é preciso pesquisar, pechinchar ao extremo e, se possível, pagar sempre à vista. Aliado a isso, ele orienta o consumidor a não comprar nada por impulso, já que esse tipo de comportamento leva, com facilidade, muita gente ao endividamento.
Cautelas
Comprar a prazo sempre é arriscado, defende o economista Fernando Pinho. “É uma atitude incerta, porque a pessoa pode ficar doente, desempregada ou até ter de socorrer algum familiar num momento de aflição financeira. A única certeza que se tem é a da existência da dívida”, ressalta.
O consumidor, segundo Pinho, deve levar em consideração, antes de comprar, a taxa de juros que terá de pagar se optar pelo pagamento a prazo e também imprevistos que podem acontecer.
Comprar sem estourar o orçamento é outra recomendação. “As datas festivas não existem para levar as pessoas à falência. O que vale é a intenção. Com certeza, uma pequena lembrança tem muito mais valor para quem ganha do que um presente caro, que vai comprometer a vida financeira de quem o comprou.”
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Às compras
O comércio de Bauru já está movimentado por conta das compras do Dia dos Pais. A dona de casa Aparecida Monteiro, 29 anos, pesquisava ontem, no Calçadão da Batista de Carvalho, um presente para seu pai. “Pretendo comprar uma caixa de ferramentas, mas estou verificando os preços ainda”.
Ela pretende pagar a compra à vista, mas adiantou que terá de parcelar se o preço fugir muito de seu orçamento. “Se o valor for muito alto, vou ter que parcelar, não vai ter jeito. Acredito que seis pagamentos sejam suficientes”, acrescentou.
A cabeleireira Silvana Galdino de Almeida, 38 anos, também estava à procura de um presente para o marido no centro comercial de Bauru.
“Estou procurando um aparelho de barbear elétrico, que vou parcelar em seis vezes. Como não é muito barato, parcelando fica menos pesado no orçamento”, justificou.
Nesta sexta-feira, o comércio do Centro de Bauru atenderá das 9h às 22h. A expectativa do setor é de que as vendas sejam até 8% superiores que as registradas no mesmo período do ano passado.