Tribuna do Leitor

O fim da identidade


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Cinco, quatro, três, dois, um – valendo! Mais uma vez toca o sinal, avisa o relógio, é hora do almoço. Já quase sem ânimo, centenas e centenas de trabalhadores vão à procura de algo para preencher seu humilde corpo. Para que possam voltar o mais rápido possível e quem sabe serem gratificados por isso. Qual a opção de hoje? Na resposta, nenhuma surpresa. O trivial, o mesmo de sempre. A opção é a mesma, é aquela que um determinado grupo escolhe. É desde a cozinha, passando pela sala, e chegam até os quartos.

Os dominantes dizem que esta é a melhor comida. Esta, a roupa mais bonita. E este, o melhor filme. Seria cômico, caso não fosse trágico. Porque a maioria das pessoas aceita tudo isso. Aceita-se viver as diferenças bebendo um único líquido. A educação capitalista ensina que ele é o que melhor sacia a sede. Adorna-se com a coleção que traz como título “a diversidade” e que, na realidade, exclui qualquer tipo de contato com as variedades. Sendo assim, uma “adversidade” aos rituais culturais.

Muitas pessoas inconscientemente deixaram-se serem levadas por esse mundo lúdico. Pois não mais valorizam a criatividade, a inovação e o imprevisto. A cultura deixou de ser regional e passou a ser mundial. O que hoje parece ser facilidade: em qualquer lugar do mundo que alcançamos existe uma coca-cola e um hamburguer; é na realidade marca de intolerância. Começa-se a ter idéia de um futuro sem opções. Com tanta propaganda enganosa, diminuição na relação entre as pessoas e imperialismo cultural. Provocando nos homens acomodação. Pois qual a vantagem de aprender aquela receita da bisavó, se “o mais gostoso” está dentro cabine fechada onde o tempo aparentemente, não passa.

Mas como o tempo do almoço é curto. E mais que isso, é muito curto. Fica difícil de pensar em assuntos complexos. Complexos, mas reais e que se levados adiante nos levarão a um único destino: o fim da identidade.

“Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são todos iguais enquanto frente de trabalho”- por Nádia Gotilib. É essa a realidade, porque para grandes empresas, por mais diferenças que existam entre nós, pobres seres mortais, somos todos iguais!

Amanda Ferreira Verardo - estudante - RG 46.750.850-1

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