Elza Soares não tem vontade de falar da idade, e, assistindo a “Beba-me”, dá para entender. Aquela mulher de vestido curto, grudado (que, ao vivo, deixava entrever certa peça de roupa vermelha), tatuagem nas costas e outra no ombro, salto altíssimo, não parece ter 70 anos.
É jovem assim que, no show que o Canal Brasil exibe hoje, às 22h, ela esquece o rap e o eletrônico dos últimos álbuns e se atira em seu melhor repertório em anos, com sambas que gravou no passado e um ou outro inédito em sua voz - caso de “Lata D’Água” (Luiz Antonio/ Jota Jr.), no qual, para ela, quem “lá vai” é Elza, e não Maria.
Uma cadeira serve de apoio na maior parte do tempo, mas Elza se diverte. Chacoalha os quadris ao ser chamada de “linda!”, esparrama-se e grita “essa madame é louca!” ao fim de “Pra que Discutir com Madame” (Haroldo Barbosa/ Janet de Almeida), fica subitamente discreta e sussurra “Dor de Cotovelo” (Caetano Veloso). Para então soltar a voz, dramática, na bem-sucedida versão tango de “Volta por Cima” (Paulo Vanzolini) e cantar “Pranto Livre” (Everaldo da Viola/ Dida) sem precisar do microfone.
Ninguém duvida de Elza. Gravado em março no Sesc Vila Mariana (após um susto, em fevereiro, quando foi internada com uma inflamação no intestino e cancelou shows), o especial sai em CD e DVD no fim do mês, pela Biscoito Fino.