Internacional

Afeganistão e Paquistão pedem união

Folhapress
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Cabul - O Afeganistão e o Paquistão abriram ontem uma grande “jirga”, ou conselho tribal, para discutir formas de combater a violência e o terrorismo que afetam ambos os países.

Cabul e Islamabad, apesar de pedir união contra os desafios, reiteraram ontem críticas mútuas sobre as respostas governamentais à violência na região das fronteiras.

Em seu discurso de abertura, o presidente afegão, Hamid Karzai, advertiu que a unidade é necessária, já que a violência ultrapassa as fronteiras e agora “se dirige ao Paquistão”. “Quando me queixava de que a violência iria se espalhar algum dia, não acreditavam em mim, mas agora vêem que tinha razão'', disse Karzai, em alusão ao país vizinho.

Para o presidente afegão, no entanto, a violência que atinge os dois países “não é obra dos afegãos”. “Nenhum filho do Afeganistão seqüestraria uma mulher, nem mataria ulemás, nem queimaria escolas”, disse ele, em meio a referências sobre o seqüestro de 21 sul-coreanos pelo grupo radical islâmico Taleban em seu país.

Mais de 600 líderes participam da conferência ontem, cuja eficácia está ameaçada pela ausência do presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, e de líderes de importantes áreas paquistanesas.

O conselho de líderes tribais ocorrerá durante quatro dias em uma grande tenda erguida em Cabul.

O general Musharraf anunciou sua desistência em participar do encontro ontem, alegando “compromissos em Islamabad”.

Líderes tribais da região mais volátil do Paquistão também estão boicotando o evento.

O premiê paquistanês, Shaukat Aziz, substitui Musharraf no encontro. Aziz, que qualificou a reunião como “jirga da paz”, afirmou que o Afeganistão e o Paquistão estão fortemente ligados, mas disse que a instabilidade no país de Karzai se deve à falta de reconciliação nacional e consenso político.

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