Polícia

Reduz violência entre jovens em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O envolvimento de jovens em delitos violentos caiu em Bauru. Estatísticas da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) mostram que o registro de crianças e adolescentes envolvidos em brigas, furtos e roubos diminuiu no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2006. Para o delegado Abel Fernandes Abreu, da Diju, a redução foi causada por investimento em prevenção. Já para o juiz da Vara da Infância, Ubirajara Maintinguer, o clima também interferiu.

De janeiro a junho do ano passado, a Diju registrou 101 lesões corporais. Este ano, foram 62. De acordo com o delegado Abel Abreu, em Bauru não existem gangues de jovens, nem grupos rivais, portanto, essas brigas se restringem a conflitos nas escolas, disputas amorosas e problemas familiares.

Furtos e roubos também diminuíram. Em 2006, foram 55 furtos e 11 roubos. Neste ano, os furtos reduziram 34,5%, somando 36 casos. Já os roubos caíram para quatro registros. A maioria desses atos infracionais foi motivada pelo envolvimento de adolescentes com drogas. “Certamente a intenção desses furtos e roubos é desviar boa parte desses produtos para a aquisição de drogas ou até pagamento de dívidas aos traficantes”, avalia Abreu.

O delegado ainda ressalta que muitos desses crimes são cometidos para auxiliar no sustento doméstico. “A grande solução para diminuir a quantidade de atos ilícitos não é, como se propaga, a diminuição da idade penal, mas sim a idade que os nossos adolescentes iniciam a sua vida no trabalho”, pondera Abreu. Para o delegado, se fosse permitido o ingresso precoce no mercado de trabalho, os adolescentes poderiam colaborar com o sustento da casa, além de se livrarem das más companhias.

Para a conselheira tutelar Sônia Aparecida Almeida Justino, a queda de ocorrências envolvendo adolescentes é sensível. “Caiu bastante o índice de violência. Nesse semestre, o Conselho Tutelar foi bem menos acionado”, informa. Isso não significa que o atendimento caiu. O conselho continua atendendo casos de risco social. As principais solicitações feitas são relacionadas à evasão escolar e crianças e adolescentes vendendo produtos e pedindo dinheiro nos semáforos.

“Acreditamos que o trabalho de prevenção que vem sendo realizado possibilitou essa queda”, avalia a conselheira. Além dos projetos sócio-educativos desenvolvidos pelas instituições de Bauru, a Diju mantém programas de orientações nas escolas e o acompanhamento das famílias de adolescentes que já passaram pela delegacia, como o Projeto Reeducar, que já atendeu 98 famílias. Além disso, Abreu ministra palestras nas escolas públicas sobre os direitos e deveres dos adolescentes, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Clima

Apesar dos bons resultados obtidos durante o primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2006, o juiz Ubirajara Maintinguer, da Vara da Infância e Juventude, avalia que o clima interferiu na redução. “Tivemos um final de ano atípico. Não foi registrado nenhum grande volume de crime da cidade, mesmo entre os adultos”, observa o magistrado.

Para ele, a chuva do início do ano e o frio intenso do final do semestre contribuíram para essa queda nos registros de atos infracionais. “Temos vários programas que atuam na prevenção, mas acredito que os resultados vão aparecer mais a médio e longo prazos”, pondera Maintinguer.

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