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Comer fritura exige moderação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Quem não gosta de uma fritura no cardápio? Batatinha frita, torresmo, pastel, coxinha, quibe, ovo, carne de frango, suína e bovina. Opções não faltam. Entretanto, o preparo dos alimentos à base de frituras pode causar sérios riscos à saúde. Quando submetido a altas temperaturas, o óleo tem suas propriedades químicas alteradas e passa a ser um “veneno” dentro do organismo. Ela altera os níveis de colesterol, contribui para a obesidade e sobrepeso e o aparecimento de outras doenças cardiovasculares.

Para quem quer levar uma vida saudável, a ordem dos especialistas é dar adeus às frituras ou pelo menos reduzir ao mínimo seu consumo. Aqueles que não conseguem viver sem batata frita, por exemplo, não precisam riscá-la de sua vida, mas também não dá para comer todo dia. Reserve as frituras para o fim de semana e corte a quantidade pela metade.

Além de ser um atalho para o entupimento das artérias, as frituras contribuem para o aparecimento de alguns tipos de câncer, como o de próstata. Contra esses riscos vale a boa e velha recomendação: é preciso bom senso. A dica é ingerir pouca gordura e comer muitas frutas, verduras e legumes frescos. Ao invés de mergulhar os nuggets e pasteizinhos na frigideira, procure levar ao forno. Faça o mesmo com as carnes.

“A fritura é muito saborosa, mas do ponto de vista nutricional é terrível”, afirma o nutrólogo Hilton Coimbra Borgo. Segundo ele, a gordura faz bem ao organismo, mas deve ser consumida moderadamente e nunca aquecida a uma temperatura acima de 180 graus. Quando isso acontece, inicia-se um processo de oxidação do óleo e ele passa a oferecer risco à saúde. O nutrólogo lembra que quando o óleo começa a soltar fumaça é um sinal de que está superaquecido e oxidado.

Nesse caso, diminui a absorção de proteínas e nutrientes, como vitaminas e minerais, pelo organismo. Além disso, a oxidação do óleo pode irritar a mucosa intestinal, dando origem a diarréias, segundo a engenheira de alimentos Neuza Jorge, pesquisadora do Laboratório de Óleos e Gorduras do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto.

Quando utilizado em preparos que necessitam de baixas temperaturas, como cozimentos, no arroz, no feijão ou em temperos, o óleo mantém sua composição nutricional, que é benéfica.

“O óleo vegetal é uma coisa boa”, diz a nutricionista Suely Prieto de Barros Almeida Peres, desde que usado de forma correta, ou seja, com moderação e nunca em frituras. Um litro de óleo, segundo ela, é suficiente para atender as necessidades de uma família de quatro pessoas durante um mês. Mais do que isso pode ser exagero.

Fazer fritura uma vez por mês é até aceitável, segundo a nutricionista, mas nada além disso. “O problema é que algumas famílias fazem batata frita hoje, coxinha amanhã, depois quibe, nuggets, tirinhas de frango (que são moídos com a pele do frango e têm um índice altíssimo de colesterol)”, observa Suely. Segundo ela, cozinhar não pode ser uma atitude que procura apenas “encher a barriga”. “A comida não pode dar apenas prazer, mas também saúde”, recomenda.

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