Macatuba - Pelo menos 16 famílias já estão colhendo os frutos do novo projeto idealizado pela Secretaria de Assistência Social de Macatuba (46 quilômetros de Bauru) na coleta seletiva de materiais recicláveis. Até então, estas famílias sobreviviam com o que conseguiam retirar do lixão da cidade.
O projeto, denominado “Lixo Rico”, e que pretende empregar várias famílias, entrou em funcionamento há cerca de dois meses.
Os recicláveis são separados em um barracão. Pelo menos 16 famílias conseguem se sustentar com esse trabalho.
Segundo a secretária de Assistência Social, Maria Lucilla Nunes Gouveia, havia uma preocupação, inicialmente, em implantar o projeto na cidade. “Tínhamos o receio de colocar o projeto porque eles (os catadores) trabalhavam no aterro sanitário. Havia o medo de tirá-los do lixão e eles não conseguirem a mesma renda no novo projeto”, explica a secretária.
No entanto, Gouveia lembra que no segundo mês de funcionamento do projeto houve melhora em cerca de 30% na coleta de materiais, em relação ao mês anterior.
Para que o projeto dê certo, no entanto, é necessário o envolvimento de toda a população para a separação do lixo reciclável do lixo orgânico na residências.
“Agora em agosto começamos a conscientizar a população”, diz a secretária, que já realizou 18 palestras até agora. “O que percebemos é que o povo está aderindo (ao projeto)”, conclui.
Visando alertar a população para a mudança de comportamento, a prefeitura promoveu a 1.ª Semana de Coleta Seletiva, que está funcionando como um incentivo ao projeto “Lixo Rico”.
Num trabalho específico, a semana contou com ciclo de palestras e peças teatrais educativas. A administração municipal organizou um mutirão de limpeza, que teve início ontem e vai até hoje. O alvo dos catadores e equipes disponibilizadas é recolher entulhos e materiais recicláveis em todos os bairros da cidade. A equipe de coleta começa a trabalhar a partir das 8h.
O projeto foi idealizado pela Secretaria de Assistência Social do município. A prefeitura entrou com a infra-estrutura construindo um barracão, com sanitários e área administrativa, e o equipou com prensa, silo e bancada para que os catadores pudessem trabalhar.
Cooperativa
Em outra ponta do ciclo de conscientização ambiental voltado para a reciclagem estão os catadores. Eles estão recebendo orientações e apoio para se organizarem em uma associação. De acordo com a secretária, será preciso a adesão de pelo menos 25 catadores para formar uma cooperativa. “Esse pessoal era marginalizado e hoje nós estamos trabalhando para que eles possam atuar em coletividade e ter autoconfiança para serem reconhecidos pela sociedade”, diz Gouveia.
Para colaborar com o projeto “Lixo Rico”, basta separar todos os materiais não orgânicos e entregá-los para os catadores identificados com a camiseta do projeto ou em pontos de entrega pré-estabelecidos.