Uma nova pesquisa mostrou que só uma sessão de exercícios pode prevenir um dos sintomas principais da diabetes tipo 2, alterando o metabolismo do tecido muscular.
Pesquisadores da Universidade de Michigan descobriram que os exercícios aeróbicos aumentam o armazenamento de gorduras na musculatura, o que melhora a sensibilidade à insulina. Uma baixa sensibilidade à insulina, ou resistência à insulina, é a incapacidade do organismo para absorver açúcar do sangue, levando a níveis altos de açúcar e, conseqüentemente, ao diabetes.
O estudo foi realizado por Jeffrey Horowitz, professor associado da Divisão de Cinesiologia da Universidade de Michigan em conjunto com Simon Schenk da Universidade da Califórnia, em San Diego, e publicada na revista “Journal of Clinical Investigation”.
Há muito tempo já se sabia dos benefícios dos exercícios para os diabéticos. O que não se sabia era o quanto exercício era necessário. Uma sensibilidade grave à insulina é um problema especialmente em pessoas obesas porque o excesso de ácidos graxos liberados pelo organismo é absorvida pelos tecidos musculares e pelo fígado o que prejudica a capacidade da insulina regular o metabolismo do açúcar.
Os ácidos graxos das células musculares podem produzir energia e ser armazenados como triglicerídio intramuscular. Níveis altos triglicerídios intramusculares estão relacionados à resistência à insulina em pessoas obesas e naquelas que têm diabetes do tipo 2.
Por outro lado, pessoas que fazem exercícios regularmente também têm o nível alto mas são sensíveis à insulina. Partindo daí, os pesquisadores da Universidade de Michigan testaram se uma única sessão de exercícios aumenta a sensibilidade à insulina.
Eles acreditavam que por algumas horas depois dos exercícios mais ácidos graxos seriam armazenados nos músculos como triglicerídio intramuscular, porém aumentando a sensibilidade à insulina.
Os pesquisadores estudaram oito mulheres magras, injetaram na corrente sangüínea ácidos graxos na quantidade encontrada em obesos. Em um dia, elas exercitaram por 90 minutos com o coração a 75% da taxa máxima. Em outro dia, a experiência foi repetida sem, no entanto, se fizessem os exercícios físicos.
O resultado, sem exercícios, o organismo reagiu como reagem o dos obesos reduzindo a sensibilidade à insulina, porém, no dia dos exercícios, não só preveniu como aumentou a sensibilidade à insulina em 25%.
Os pesquisadores não só descobriram os mecanismos para explicar como os exercícios físicos ajudam no funcionamento da insulina como também a eficiência de uma única sessão de exercícios. Assim também ficou constatado que a chave para uma saúde boa não está baseada no fato de alguém ser magro mas de se fazer exercícios.
Os pesquisadores agora estão estudando para descobrir qual a quantidade e freqüência de exercícios para que uma pessoa obesa possa desfrutar de uma boa saúde. De qualquer forma, já podemos fazer exercícios o quando podemos, é melhor do que não fazer nada. E com moderação, nada de forçar o coração.
O autor, Mário Eugenio Saturno, é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe - e-mail: mariosaturno@uol.com.br