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Deixe as pessoas viver


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O título deste artigo parece meio estranho. Me peguei pensando nesta frase quando voltava de uma viagem a uma cidade da região de Ribeirão Preto, onde fui dar uma palestra sobre stress e auto-estima. Interessante que os temas que abordo aqui no Jornal da Cidade sempre aparecem quando volto de viagem. E pensei: deixe as pessoas viverem.

Na última semana, tive a oportunidade de vivenciar duas situações importantes: uma muito feliz, quando meus filhos voltaram a estudar em uma escola que trabalha com a pedagogia Waldorf; e outra bem triste, quando um amigo meu teve sério atrito com a filha, que cismava em realizar um sonho dela, que ele não concordava.

Peguei-me outra vez pensando na frase: “deixe as pessoas viverem”. Não sou o melhor pai do mundo, mas sou um bom pai, sempre presente e vivendo junto os sonhos de meus filhos. Quando os dois disseram que o sonho deles era voltar a estudar na escola de pedagogia Waldorf, onde eles vivenciam a criatividade, o saber e a alegria de uma forma bem humana, entrei nisso de cabeça. Alegrei meu coração e resolvi “deixar as pessoas viverem”.

Alguns amigos colocaram “senões” para a minha decisão de levar minhas crianças de volta a uma pedagogia tão diferente, mas banquei o sonho, que passou a ser meu também. E pensei comigo: não quero que meus filhos sejam comuns, quero os dois com caráter cooperativo e não com caráter competitivo. Aliás, esse é um diferencial que vejo em uma pedagogia diferenciada: fazer a diferença através do processo e não através da “decoreba”.

No caso do meu amigo, que não queria deixar sua filha viver um sonho, não pude fazer quase nada. Até que ele me pediu uma opinião, mas não sou de palpitar na vida alheia. Apenas disse a ele: se fosse minha filha, eu acolheria... daria colo... seria amoroso... deixaria falar... seria mais amigo... estaria disponível, dando coragem na decisão... dela! Faria o papel de pai, como penso que deve ser um pai. De forma alguma iria trocar o sonho dela pelo meu... não viveria, em hipótese alguma a vida dela... só viveria a minha.

Ele me respondeu: eu não consigo... quero decidir por ela... quero falar por ela... quero escolher por ela. Depois dessa resposta, decididamente, reafirmei minha maneira de olhar o mundo... vivendo sempre por mim mesmo e deixando as pessoas viverem as suas vidas, principalmente se forem meus filhos.

Isto não significa estar longe ou negligenciar, muito pelo contrário. Cada um vive a sua vida e usa o seu livre-arbítrio. Se meus filhos caírem, estarei sempre pronto para acolhê-los e ajudá-los, mesmo que eu tenha avisado: “talvez isso não dê certo”.

Não sei se estou correto na minha maneira de olhar o mundo! Talvez não esteja errado! Só sei de uma coisa: estou sendo honesto comigo e com meus filhos. Experimento deixá-los viver... e nunca preciso usar a força bruta das mãos ou das palavras. Meu clima com eles é só na base do amor. E tem dado certo.

O autor, Reginaldo Tech, é professor de literatura e redação; mestre em lingüística; estudioso da cultura oriental e do yoga; instrutor de meditação e ministra palestras sobre qualidade de vida através de projetos da ONG Comvida. Acesse: www.blogdotech.zip.net e o e-mail: reg_tech@terra.com.br

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