Não sou político, para ter direito ao foro privilegiado, ao mensalão e mensalinho.
Não sou banqueiro, para ter direito às ajudas financeiras do Banco Central.
Não sou apadrinhado do PT, para ter direito a um cargo de confiança com altos salários.
Não fui exilado político, para ter direito à indenização paga com o dinheiro do povo.
Não sou afro-descendente, para ter direito às vagas por cotas nas universidades.
Não sou gay, para ter direito de receber muito dinheiro público para fazer festa na avenida paulista.
Não sou do MST, para ter direito a terras compradas com dinheiro público.
Não sou um grande empresário, para ter direito a financiamentos do BNDES.
Não sou carioca, e, portanto, não tive nenhum benefício com o Pan.
Não sou pobre o suficiente para ter direito ao bolsa-família.
Também não sou da elite que vai morar no Exterior e esquece que também é brasileiro.
Também não sou índio, nem militar, nem do crime organizado.
Será que sou da maioria? Ou da minoria? Só sei que, como todo brasileiro, pago mais de 40% de impostos e não tenho nenhum serviço público eficiente. Não tenho direito a nada. Para onde vai toda essa dinheirama arrecadada? Para ter direito à saúde, tenho que pagar o plano médico. Para ter segurança, tenho que pagar cercas, alarmes e seguros. Para ser universitário, só pagando.
Quando viajo de carro, além das estradas ruins, o combustível é caro, existem os pedágios e as multas de radares. Se for de avião, então, nem precisa falar do caos dos aeroportos não é? Se utilizo os recibos médicos para abater no imposto de renda, a Receita Federal primeiro me acusa de fraudador para anos depois devolver minha restituição.
Quando preciso de dinheiro, o único que me ajuda é o banco, mas essa ajuda eles chamam de cheque especial. Quando sobra um dinheiro no fim do mês, os juros que recebo na poupança não cobrem nem a CPMF. Pago caro pelo telefone, pela energia, pela água e até pelo guardador de carros. Acho que um dos poucos direitos que ainda tenho é o da liberdade, pois este não custa dinheiro, mas talvez custe nosso sangue. Não existe nenhuma ONG, nenhuma igreja, nenhuma instituição que me ajuda. Enfim, cansei!!!
Com Lula ou sem Lula, o que precisamos é de um Brasil para todos. De um projeto de governo e não de poder. Ninguém aqui está brincando com a democracia. Lá, em Brasília, é que estão brincando com o País. Precisamos é de um governo mínimo e com muita eficiência.
Um Legislativo que crie as regras para o desenvolvimento do País. Um Judiciário que faça valer as leis e a Justiça para todos nós. Às 13h, do dia 17/8, se não quiser fazer um minuto de silêncio pelas vítimas do avião, faça pelo garoto João Hélio ou pela irmã Dorothy Stang, pelo Júlio César Pires de Oliveira ou até mesmo por você que pode ser o próximo a não ter direito a mais nada.
José Marcelo Morales