Bagdá - Os mortos nas explosões em série ocorridas ontem no Iraque subiram para 250, tornando a ação a mais violenta no país desde o início do conflito, em 2003.
O segundo pior ataque desde a invasão americana ocorreu em novembro de 2006, quando a explosão de seis carros-bomba matou 215 e feriu outros 250. Nos ataques de anteontem, cinco carros-bomba explodiram em uma área residencial onde vivem membros da minoria religiosa Yazidi.
A ação, ocorrida em uma área entre as vilas de Qahtaniya e Al Jazeera, a oeste de Mossul, no norte do Iraque, também feriu cerca de 350 pessoas.
De acordo com Dakhil Qassim, prefeito do distrito de Sinjar, o número de mortos ainda pode aumentar.
Os EUA afirmaram ontem que suspeitam da ligação da rede terrorista Al-Qaeda com os ataques suicidas na região Yazidi. De acordo com o Exército, “ainda é cedo” para atribuir a responsabilidade a algum grupo.
Quem são os Yazidi
Aparentemente, o alvo dos ataques era a etnia Yazidi, uma pequena comunidade estimada em 500 mil pessoas que se concentra nos arredores de Mossul e adora o anjo Melek Taus, considerado o Demônio para alguns muçulmanos e cristãos.
A etnia vive no norte do Iraque, fala dialeto curdo e possui cultura e religião próprias. Seus integrantes crêem em um Deus criador do mundo e respeitam os profetas da Bíblia e do Alcorão - em particular, Abraão - mas veneram principalmente Malak Taus, que dirige os arcanjos e é com freqüência representado por um pavão.
Membros do grupo são alvos freqüentes de violência no norte do Iraque. Em abril último, uma adolescente yazidi, Duaa Khalil Aswad, 17 anos, foi morta por estar apaixonada por um muçulmano. O vídeo de seu linchamento foi divulgado na internet.