Foz do Iguaçu - A Polícia Federal prendeu ontem um suboficial da Aeronáutica, chefe da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em Foz do Iguaçu (PR), suspeito de integrar o esquema que permitia a permanência do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía no Brasil. Além de Angelo Reinaldo Fernandes Cassol, foi preso um ex-policial federal, cujo nome não foi revelado, que seria responsável por fornecer documentos falsos à quadrilha de Abadía.
Segundo a Polícia Federal, o grupo integrado por Cassol havia se especializado em obter vistos de entrada e saída do Brasil. Eram beneficiados no suposto esquema os membros mais importantes do grupo do traficante. Graças ao suposto esquema, o colombiano conseguia permanecer no Brasil indefinidamente - ele revalidava os vistos sem precisar cruzar a fronteira.
A polícia fez buscas na sede da Anac, na casa de Cassol e na agência de turismo da mulher do militar, na mesma cidade. Em conversas informais com federais, Abadía contou que havia sido detido na fronteira com o Paraguai pela PF com passaporte falso.
Para se livrar da prisão, ele pagava US$ 400 (R$ 800,00), suborno que teria pago várias vezes na fronteira. A PF chegou ao militar através do depoimento do piloto André Luiz Telles Barcellos, considerado braço direito do colombiano no País.
Barcellos costumava adquirir passagens aéreas na agência de turismo da mulher do suboficial, Vera Cassol, em Foz do Iguaçu. O piloto e Cassol chegavam a ir juntos ao aeroporto, onde está sediada a Anac. Cassol, exonerado ontem pela Anac, havia sido nomeado em 1 de novembro do ano passado para o cargo. O militar havia sido colocado à disposição da agência pela Aeronáutica no final de agosto do mesmo ano.