Rio - No País, 109,2 milhões de pessoas, de 10 anos ou mais de idade, declaram exercer atividades domésticas, aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2001 e 2005. Até cresceu a proporção de homens que dizem limpar a casa, lavar a louça, fazer comida ou cuidar dos filhos. Em 2001, 42,6% da população masculina fazia trabalhos domésticos em casa. Em 2005, esse percentual subiu para pouco mais da metade: 51,1%. O avanço, no entanto, ainda é irrisório quando se leva em conta que, entre as mulheres, a proporção chegava a 90,6%. Essa sobrecarga feminina é verificada em todas as classes sociais .
A menor participação dos homens foi observada no Nordeste, onde 46,7% realizam atividades domésticas. No Sul, foi registrada a maior taxa do sexo masculino, 62%. Segundo os pesquisadores, a explicação para essa participação um pouco mais baixa dos homens nordestinos nos afazeres domésticos pode estar ligada aos aspectos culturais locais. São os homens de 60 anos ou mais de idade que dedicam parte do tempo em afazeres domésticos, 13 horas semanais. Já as mulheres, a partir dos 50 anos, são as que mais consomem tempo, 31 horas semanais, cerca de três vezes mais do que os homens. Já em termos absolutos, é a população adulta de 25 a 49 anos, que mais realiza afazeres domésticos.
A PNAD destaca que os afazeres de casa constituem um grupo de atividades predominantemente femininas. As meninas desde cedo são orientadas para o exercício do trabalho doméstico, cerca de 83% delas realizam tais afazeres, enquanto que entre os meninos a proporção é de 47,4%, O tempo despendido diferencia significativamente entre os sexos: meninos 8,2 e meninas 14,3 horas semanais. As crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 17 anos, que deveriam dedicar a maior parte do tempo à escola, tiveram uma parcela significativa no grupo de realização de atividades em casa.
Apesar das meninas terem menos tempo para o lazer e o estudo, o rendimento delas na escola tem sido melhor do que o dos meninos. A pesquisa ressalta que um forte argumento seria a entrada precoce dos meninos no mercado de trabalho, com um percentual de 28,6%, já 18% das meninas começam a trabalhar fora mais cedo.
No Brasil, a cor/raça mostrou-se como uma variável de pouca influência na condição de cuidar ou não de afazeres domésticos, 36, 3 milhões de mulheres brancas se dedicam aos afazeres domésticos, já 34, 6 milhões de negras e pardas fazem o mesmo. Verificou-se que as mulheres de cor preta e parda investem mais tempo no cuidado de atividades domésticas (25,7) do que as brancas (24,9).
A menor participação está entre o grupo menos escolarizado 67,9%. De acordo com a jornada média em afazeres domésticos, o que se verifica é uma maior intensidade deste trabalho para a população com até quatro anos de estudo, 21,8 horas semanais. Pessoas com 12 anos ou mais de estudo se dedicam menos tempo a essas tarefas. A PNAD mostrou alguns aspectos da desigualdade de gênero no âmbito da família no que se refere à realização do trabalho doméstico.
Na sociedade este serviço ainda se constitui uma tarefa das mulheres, embora a pesquisa mostre um pequeno aumento da participação masculina nessas atividades, principalmente entre os mais velhos.
O IBGE também diz que não se observou um compartilhamento das atividades domésticas das mulheres com os cônjuges, pelo contrário, fatores reforçam essa desigualdade de gênero, como a baixa participação dos meninos no trabalho doméstico, ou seja, desde cedo se constrói a idéia de que o trabalho doméstico é uma tarefa para as mulheres. O objetivo da PNAD é analisar as informações de jornada de trabalho para que se possa compor um número aproximado do tempo gasto nessas atividades e a disponibilidade para outras atividades como lazer e estudos. A pesquisa, com informações coletadas de pessoas de 10 anos ou mais de idade, serve de base para as funções sobre trabalho não remunerado e gênero.