Entidades que lutam diariamente por melhorias para o seu local de moradia, as associações de moradores, têm papel fundamental no relacionamento entre a população e o poder público. São elas que levam reivindicações da população, que encaminham problemas do bairro, ao Executivo e Legislativo a fim de sanar ou reduzir as deficiências de infra-estrutura das comunidades, como ausência de iluminação pública e de asfalto.
“Eu, enquanto moradora, se for reivindicar uma melhoria para o meu bairro a qualquer órgão, eu não consigo. Enquanto presidente de associação de moradores, representando um grande número de pessoas, eu tenho um poder muito maior”, avalia Ângela Maria Brito Silveira, presidente da Associação de Moradores da Vila São Francisco.
No entanto, representantes das entidades são unânimes em afirmar que este meio de diálogo está se tornando cada vez mais limitado. Hoje, no Dia das Associações de Moradores de Bauru, as entidades afirmam não ter muito o que comemorar.
Desde a extinção da Secretaria de Administrações Regionais (Sear) pelo prefeito Tuga Angerami, no início deste ano, representantes das associações vêm reclamando constantemente da redução da força política das entidades. “Antes, os problemas eram resolvidos. Agora, não sabemos a quem recorrer. Estamos reivindicando aos vereadores, mas eles têm muito pouco a fazer porque quem tem a caneta na mão é o prefeito”, salienta Ângela.
Por estarem com muitos pedidos estacionados, eles querem estabelecer um canal de diálogo com o poder Executivo e almejam que o prefeito atenda os presidentes de associações de bairro ao menos uma vez por semana. “Não temos o retorno que deveríamos ter. Todas as associações encaminham diversos pedidos e nada se resolve. Nem resposta recebemos”, afirma Jesus Adriano dos Santos, presidente da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região do Centro-Oeste e presidente da Associação da Vila Dutra e Industrial 3.
Conscientes dos avanços que já foram conquistados em décadas de atuação, agora as associações planejam novas ações para retomar a força que tinham. “Nós vamos insistir em buscar soluções. Não é fácil porque este é um trabalho voluntário. Mas já que a Sear foi extinta, vamos nos reunir e pressionar a Câmara para votar o Plano Diretor, que está parado”, defende Santos.
Segundo ele, a elaboração do Plano Diretor foi um trabalho de meses que contou com a participação das associações e que não pode ser esquecido. “É de lá que deve sair a solução para as questões básicas dos nossos bairros. Se a gente não centrar forças na reta final da aprovação do Plano Diretor e ficar só esperando, a nossa realidade não vai mudar”, diz.
Comemorado todo terceiro domingo do mês de agosto, o Dia das Associações de Moradores de Bauru foi instituído através da lei nº 3.577, de 22 de junho de 1993.