Kingston - O governo da Jamaica decretou toque de recolher ontem e tropas do Exército e a polícia patrulhavam as ruas de Kingston (capital) para evitar saques na passagem do furacão Dean, que já devastou outros países do Caribe e matou cinco pessoas. Os ânimos ficaram exaltados nas lojas de Kingston, onde jamaicanos se aglomeravam para comprar gêneros de primeira necessidade enquanto os primeiros ventos da tormenta começavam a varrer a ilha montanhosa.
O governo improvisou alguns abrigos de emergência e pediu aos moradores das regiões mais baixas que deixassem suas casas.
O Dean já é uma tempestade de categoria 4, a segunda mais alta na escala Saffir-Simpson, que vai até cinco, e deverá ainda ganhar força em seu rumo à península de Yucatán, no México, convertendo-se num raro e potencialmente catastrófico furacão de categoria 5.
O governo estabeleceu toque de recolher de 48 horas nas zonas industriais e disponibilizou ônibus para levar a população até os abrigos. Ainda antes da chegada das chuvas mais fortes, registraram-se deslizamentos de terra nas comunidades de Maryland e Dallas.
Muitos residentes de áreas baixas recusaram-se a deixar suas casas. “Não vamos a lugar nenhum”, disse Byron Thompson, de Port Royal. “Na verdade, se você voltar aqui depois, vai me encontrar tomando rum naquele bar com alguns amigos”, completou.
A companhia de energia da Jamaica cortou a eletricidade da ilha para prevenir acidentes com a rede. Postos de gasolina fecharam e as poucas lojas abertas foram tomadas por residentes em busca de pilhas, lanternas, alimentos enlatados e água mineral. Dois homens quase se estapearam numa loja porque um deles tentou furar fila. “A maioria de nós teve de enfrentar o mau tempo para chegar aqui e esperou pacientemente em longas filas. Não dá para o cara chegar aqui e ir passando na frente”, disse Dave Brown, que tentava comprar pão e fósforos.
Um pouco antes de atingir a ilha, o Dean provocava ventos de 230 km/h. Mortos Alertas de furacão também estão em vigor para as ilhas Cayman. Antes da Jamaica, o Dean passou ao sul da República Dominicana e do Haiti, que foram poupados dos piores efeitos da tormenta. Uma pessoa morreu no no Haiti, depois que uma árvore caiu sobre sua casa. Com isso, sobe para cinco o número de mortes provocadas pelo furacão.