São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem mais nove pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha internacional de tráfico de drogas. Sete supostos membros do bando foram presos no último sábado, no Uruguai, entre eles Gustavo Duran Bautista, colombiano apontado, proprietário de fazendas produtoras de frutas no Nordeste do País. As frutas eram utilizadas para camuflar o envio de cocaína para a Europa.
De acordo com a PF, dos presos na operação, batizada de São Francisco, sete foram detidos no Estado de São Paulo, um em Natal (RN) e outro em Recife (PE). No Uruguai, os sete - dois são brasileiros e cinco colombianos - foram presos em flagrante, com 500 quilos de cocaína pura.
A PF investigava a quadrilha há pouco mais de dois anos, mas a operação teve de ser desencadeada ontem devido à prisão de alguns membros da quadrilha no sábado, de acordo com o delegado Jaber Saadi, superintendente da PF em São Paulo.
Com mandados expedidos pela Justiça Federal, a PF apreendeu 12 veículos, um avião, um helicóptero, R$ 35 mil e US$ 45 mil. Bautista possuía um hangar no Campo de Marte - onde ficavam as aeronaves -, que foi lacrado pela PF. Entre os locais onde a PF cumpriu os mandados está uma mansão no Morumbi, bairro nobre da zona oeste da Capital, onde Bautista morava. Ele vivia há ao menos cinco anos no Brasil, de acordo com as investigações da PF. O suspeito de liderar a quadrilha é procurado na Bolívia por tráfico. Saadi disse acreditar que o país pedirá a extradição do preso.
Rota
De acordo com o delegado que coordenou a operação, Luiz Roberto Godoy, o Brasil era usado como um dos pontos de partida para o envio da droga, por meio de navios, para a Europa, principalmente para a Holanda. As embarcações saíam principalmente do porto de Santos (litoral de São Paulo). “A droga saía da Colômbia e ia para a Bolívia de avião, posteriormente ela vinha para o Brasil ou para outro país da América do Sul e depois seguia para a Europa. A droga ia em contêineres em navios”, afirmou Godoy.
Para “exportar” a droga os traficantes usavam as frutas, produzidas por ao menos cinco fazendas de propriedade de Bautista - registradas em nomes de laranjas- nos Estados da Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. “As caixas transportavam as frutas com a droga em baixo. Possuíam dois fundos. Todos os tipos de frutas eram usadas”, disse o superintendente da PF.
Documentos apreendidos na casa de Bautista devem ajudar a PF a identificar possíveis irregularidades nas empresas do traficantes, aparentemente com atividades regularizadas.
Abadia
A ligação da quadrilha presa no Uruguai e no Brasil com o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, preso no último dia 7 em um condomínio da Grande São Paulo, ainda não foi comprovada pela PF. “Estamos investigando isso”, disse Godoy.
Abadía é apontado como chefe do influente cartel Vale do Norte da Colômbia e também era procurado pelo EUA sob acusação de traficar drogas no Colorado e em um dos distritos de Nova York. Ele teria enviado 1.000 toneladas de cocaína para aquele país em dez anos.
De acordo com o delegado coordenador da operação, um dos presos é um piloto de avião que teria realizado trabalhos de transporte de droga para o cartel de Abadía, no entanto, essa ligação ainda não foi comprovada pela PF.