Cultura

O engraçado som da rua

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

As mesmas pessoas que atropelavam aqueles instrumentistas espalhados pelo centro da Capital, hoje se aglomeram para prestigiar o som dos artistas da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo, criada em 2004 por Lívio Tragtenberg. Nesta noite, o Som do Meio Fio, grupo formado por seis mestres do grande time no começo deste ano, traz ao Serviço Social do Comércio (Sesc) o show “Na Rua”.

“Eles vão chegar, perceber o clima da cidade e improvisar essas histórias do cotidiano de todos nós no palco. Vai ser um show divertido”, avisa Tragtenberg. “Na Rua”, inclui emboladas, choro, maracatu, xote e crônicas bem-humoradas construídos pelos próprios músicos, sob a direção musical do piauiense Emerson Boy, também saxofonista dessa miscelânea de sons.

Além do Piauí, outros Estados são responsáveis pela diversidade de ritmos que habita os jardins da babilônica São Paulo e integra o Som do Meio Fio. Com um número variável de músicos (de seis a, no máximo, nove), o show desta noite terá a presença dos emboladores do Pernambuco, Peneira & Sonhador; Verinho, sanfoneiro da Paraíba; Nazaré, percussionista do Maranhão e o único paulista, o violeiro Franco.

Mesmo com um CD para ser lançado no início de 2008, o “Na Rua”, os músicos do Som do Meio Fio continuam com o seu trabalho pelo centro de São Paulo, um pouco por necessidade, e mais um tanto por tradição. “Tocar na rua é uma arte antiga, faz parte da cultura deles”, enfatiza Tragtenberg.

Todos aprenderam a tocar sem escola e, apesar do aprendizado contínuo, são “mestres no que fazem”. “Eles não precisam aprender com ninguém, são muito bons com seus instrumentos”, afirma o músico e compositor paulistano Lívio Tragtenberg, com diversos livros escritos sobre música e mais de uma dezena de CDs editados.

• Serviço

Som do Meio Fio se apresenta hoje, às 21h, na área de convivência do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos por R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes), R$ 4,00 (usuários inscritos, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (outros). Mais informações: (14) 3235-1751.

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Orquestra

Para inaugurar a Sala Olido, em São Paulo, à convite da Prefeitura de São Paulo, o compositor Lívio Tragtenberg passou a andar pelas ruas de São Paulo, escutando o som daqueles músicos marginais. “Eu buscava essa diversidade de ritmos, melodias e poesias”, afirma o responsável pela formação da Orquestra de Músico das Ruas de São Paulo em 2004.

Composta por 15 músicos descendentes de diversas nacionalidades que tocam nas ruas, praças, estações de trem e metrô da Capital, a Orquestra abriga emboladores nordestinos, instrumentistas japonesas, músicos paraguaios, bolivianos e percussionistas maranhenses: alguns anônimos e outros vindos de comunidades de imigrantes que ainda praticam suas tradições musicais com melodias, trajes e instrumentos típicos.

O repertório é composto por sambas tirados de harpa paraguaia, forrós ao som do guitarón (contrabaixo mexicano) e da flauta boliviana, baião acompanhado por um coro de músicos paraguaios e emboladores improvisando na batida do koto (instrumento tradicional japonês).

Em janeiro do ano passado, a Orquestra lançou o disco “Neurópolis”, pelo selo do Serviço Social do Comércio (Sesc), e excursionou por várias cidades do Estado. Dentro de um espaço de cultura conceituado, como a Sala São Paulo, os músicos recebem o prestígio dos mesmos que passam afobados por eles nas ruas.

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