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Doações de córnea caem e fila dobra

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o início do ano, as doações de córneas vêm diminuindo no Banco de Olhos de Botucatu. A situação que já não era das melhores, ficou crítica no mês passado, quando a região de atuação da instituição foi ampliada, após fusão com a regional de captação de Marília. Como resultado, o número de córneas recolhidas em julho foi seis vezes menor em relação à média mensal, provocando inchaço na fila de espera, que dobrou no mesmo período.

O número de pacientes registrados à espera de uma córnea no Banco de Olhos de Botucatu passou de 155 pessoas para 322 após a fusão com a instituição de Marília. Ao mesmo tempo, as captações mensais caíram de 60 órgãos, em média, para apenas 10 no mês passado. Isso ocorre porque a regional de Botucatu atendia 1,3 milhão de habitantes e elevou o número para 3,4 milhões após a junção. Outros fatores preponderantes são a falta de diálogo prévio em família e a diminuição das campanhas de doação.

Uma pesquisa realizada com 2.333 famílias de Botucatu revela que boa parte dos moradores da cidade nunca ouviu falar da Central Regional de Captação de Órgãos, que funciona no Hospital das Clínicas. Outra parcela considerável nunca deixou claro aos familiares a vontade ou não de doar tecidos após a morte.

“Apesar de se mostrarem bastante generosos e receptivos com relação à questão (da doação), as pessoas não expressam suas vontades. Esse fato, somado à pouca informação na mídia e ao abalo psicológico no momento do falecimento, causa reflexo negativo”, afirma Amélia Trindade, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), da Central Regional de Captação de Botucatu.

“100% das doações são provenientes de pessoas que avisaram seus anseios com antecedência”, completa. A coordenadora da instituição revela que o período de maior número de doações foi de novembro a fevereiro último, quando houve campanhas maciças para doação nos órgãos de imprensa. “No primeiro semestre, nossa atuação é voltada para treinamento de equipe e capacitação de hospitais para captação. A partir do dia 27 de setembro (Dia do Doador), a divulgação é maior e os números de doações aumentam”, conta.

Outra revelação da pesquisa realizada em Botucatu é a descrença da população nos serviços públicos. De acordo com Amélia, boa parte dos 8.136 entrevistados tem dúvidas quanto ao sistema de doação. “Muitos disseram não confiar no sistema público de saúde, outros acham que, como o País não é sério, não é possível confiar nos órgãos de doação e transplante do governo”, revela.

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