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Procurador reforça denúncia contra Dirceu

Folhapress
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Brasília - Após mais de sete horas de sessão, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu ontem o primeiro dia de julgamento da denúncia contra 40 acusados no mensalão. A presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, suspendeu a sessão alegando o cansaço de todos. O julgamento recomeçará hoje, às 10h.

Neste primeiro dia de julgamento, foram ouvidas 22 defesas, uma vez que há advogados que representam mais de um denunciado. A maioria dos advogados criticou a denúncia da Procuradoria-Geral da República, alegando que seria “uma peça de ficção”. Todos apelaram para que a acusação fosse rejeitada pelo STF sob o argumento de improcedência das denúncias.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, propôs ontem que o STF aceite as denúncias contra os 40 acusados de envolvimento com o mensalão. Mas ele lembrou que “não estão em julgamento instituições” e sim “condutas individualizadas”.

Na sua opinião, os denunciados tiveram um comportamento próximo ao que é comum ao “submundo do crime”. Ele ainda apontou responsabilidades diretas ao ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), no envolvimento com esquema, por sua influência política. O procurador mencionou ainda que o empresário Marcos Valério tinha acesso livre com Dirceu.

Também citou uma reunião de diretores dos bancos BMG e Banco Rural com o ex-dirigente do PT Delúbio Soares e Marcos Valério. Antes, ele lembrou que houve a liberação de “vultuoso” empréstimo de dinheiro para o PT.

Em seguida, Souza levantou suspeitas sobre os repasses de dinheiro efetivados. Segundo ele, o correto teria sido utilizar os mecanismos bancários comuns e não escolher lugares “inadequados”.

Defesa de Dirceu

Primeiro advogado a falar no julgamento, José Luiz de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), tentou desqualificar a denúncia de que seu cliente estaria envolvido no esquema.

Segundo Lima, a denúncia buscou transformar seu cliente em um “panfleto partidário”. Na sua opinião, a acusação é uma “peça de ficção”.

O advogado também reclamou que a denúncia se baseou nas acusações feitas por Jefferson. “A peça de acusação dá credibilidade à fala de Jefferson que foi cassado porque mentiu”, afirmou Lima.

O advogado Luiz Fernando de Souza Pacheco, que defende o deputado José Genoino (PT-SP), também rebateu as acusações contra seu cliente. O petista é acusado de formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa. Segundo Pacheco, as denúncias são “ineptas”. Na opinião dele, as acusações não têm “justa causa” nem individualiza as condutas dos supostos envolvidos.

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