Pederneiras - A exumação do corpo de um bebê de nove meses foi realizada ontem para tentar estabelecer a causa de sua morte em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). O exame será feito a pedido dos familiares, que querem confirmar se a morte da criança teria ocorrido por causas naturais ou por possível negligência no atendimento médico da Maternidade da Santa Casa.
O laudo deve ser expedido em 30 dias. O médico legista Aron Wajngarten, da Polícia Civil, colheu no corpo do nati-morto o coração e o pulmão para realizar os exames necroscópicos nos órgãos.
A mãe da criança, Ana Caroline Campos da Silva, 14 anos, relatou à reportagem que começou a sentir contrações por volta das 4h30 do dia 14 deste mês e foi levada rapidamente por uma ambulância ao Pronto-Socorro Municipal. No local, segundo ela, recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhada para a maternidade, que fica ao lado. Na unidade, ela teria passado pelo exame de toque.
Um médico plantonista estava na maternidade quando a jovem deu entrada. “Me examinaram e eu não estava com dilatação. Disseram para eu ficar na sala de pré-parto que eu ia dilatar e que às 7h o médico ia entrar e que faria minha cesárea”, relata Ana. No entanto, segundo os familiares, por volta das 7h, quando foi realizado um novo exame no útero, o médico que assumiu o plantão constatou que a criança estava morta. A causa mortis foi registrada como amoxia intra-uterina.
Inconformados e sem entender por que a criança, que há pouco tempo estava viva, havia morrido, os familiares da jovem procuraram a polícia no dia seguinte. O delegado Eron Veríssimo Gimenez, que responde pelo expediente da Delegacia de Polícia de Pederneiras, explicou que foi aberto um inquérito policial para apurar a denúncia e esclarecer os fatos.
“A Polícia Civil, através do inquérito, está apurando todas as circunstâncias do fato. Ao final, será feito um relatório circunstanciado detalhado ao juiz de direito da Comarca de Pederneiras e aí ele dará vistas ao caso”, comentou Gimenez.
Ao ser consultada pela reportagem, a Santa Casa de Misericórdia de Pederneiras preferiu se pronunciar em nota oficial. Assinada pela diretoria clínica do hospital, a nota frisa que não teria havido nenhuma anormalidade no atendimento prestado a Ana.
O exame necroscópico nos órgãos do corpo da criança nati-morta, que está sepultada no Cemitério Municipal de Pederneiras, foi solicitado a pedido do advogado da família da jovem. De acordo com o médico legista, os exames poderão indicar, no máximo, se a criança respirou ou não. As amostras colhidas na exumação serão enviadas para São Paulo.
De acordo com os familiares, durante a gestação de Ana foi realizado o exame pré-natal e não houve nenhum tipo de complicação.
“Eu acredito que, se na hora em que ela chegou (na maternidade), tivesse sido feita a cesárea estaria tudo bem agora”, comenta Maria da Silva, tia da jovem.
“O que eu quero é que a polícia apure o caso e que o culpado pague”, comenta Adriana Amâncio, 34 anos, mãe da jovem. “Tudo o que eu quero saber é se a criança estava com algum problema ou se foi mesmo uma negligência médica”, conclui a mãe da jovem.
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Íntegra da nota da Santa Casa
“A Maternidade da Santa Casa de Pederneiras mantém quatro obstetras, anestesistas e dois pediatras do corpo clínico, profissionais autônomos, e mais quatro enfermeiras obstetrizes mantidas pelo hospital, para completo acompanhamento das parturientes.
Sobre o atendimento à gestante menor, o mesmo se deu através de entrada da paciente pelo Pronto-Socorro (PS), sendo imediatamente atendida por profissional médico obstetra, encaminhada à maternidade onde recebeu novo atendimento médico obstétrico, cujo exame clínico foi sugestivo de início de trabalho de parto. Exames de cardiotocografia e US com Dopller, realizados em dia anterior, revelavam bem-estar fetal. Exames clínicos e sinais vitais realizados no ato da internação revelavam normalidade com a mãe e feto. Portanto, a conduta médica adotada foi condizente para gestante primigesta no início de trabalho de parto. O óbito fetal ocorreu dentro das primeiras horas do trabalho de parto, apesar de todo cuidado dispensado e de todos os recursos disponibilizados e à altura do atendimento. A mãe teve uma boa evolução clínica, após o parto, e recebeu alta no dia seguinte.”