Bairros

Cinomose atinge mais cães no inverno

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O seu cãozinho de estimação está tendo crises de vômito e diarréia? Não há motivo para alarde, este pode ser um quadro comum e passageiro, mas é preciso estar alerta para uma doença pouco conhecida, mas que tem atingido muitos animais em Bauru, principalmente nesta época de temperaturas mais amenas. Provocada pelo vírus CDV (Canine Distemper Virus), a cinomose é uma doença altamente contagiosa, específica dos cães, mas não é considerada uma zoonose por não ser transmissível ao homem.

Por seu contágio ocorrer através das vias aéreas respiratórias, basta um espirro do animal doente para espalhar secreção ao redor e contaminar outros cães que estejam por perto. E como o vírus se torna extremamente resistente na época do frio, é no inverno que o número de casos da doença vão às alturas.

Segundo o veterinário Rodrigo Ferreira Martines, neste ano os casos registrados estão concentrados principalmente no Núcleo Fortunato Rocha Lima, Bauru 16, Vila Nova Esperança e Vila Dutra. “Todo ano, nesta época de frio, o número de cães doentes chega a quintuplicar. Por semana, estou atendendo de 15 a 20 casos. Recebo animais de Bauru inteira e tenho percebido que nesses bairros a incidência tem sido maior”, destaca.

Segundo informou Martines, a melhor medida a ser tomada é a prevenção, já que a cinomose é considerada uma doença da alta letalidade. A vacina polivalente protege o cão contra 10 doenças, entre elas a cinomose, e deve ser aplicada em três doses nos primeiros dois anos de vida, com aplicação de reforços anuais.

Mesmo assim, é importante observar o comportamento do animal nos dias seguintes, caso ele apresente episódios de vômito e diarréia. A cinomose é uma doença cruel com os bichinhos, podendo provocar, em estágio mais avançado, perda da capacidade motora, cegueira e convulsões.

Em caso de dúvida, é importante procurar um veterinário. Se a cinomose for diagnosticada, o tratamento deve ser feito à base de antiinflamatórios, antibióticos e estimulantes neurológicos, de 10 a 12 dias. “Passado esse período, se o animal não respondeu ao tratamento, não há mais o que fazer. Na maioria dos casos, o cachorro morre ou precisa ser sacrificado porque é uma doença muito sofrida. Somente 2% sobrevivem, mesmo assim com alguma pequena seqüela”, explica Martines.

Como não se trata de um tipo de zoonose, a Secretaria Municipal de Saúde não desenvolve nenhum tipo de campanha de controle da doença e também não oferece vacinação gratuita contra o vírus CDV, de acordo com o chefe de setor de Controle de Zoonoses da prefeitura, Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez. “Somente através dos mutirões de castração, o controle da população canina indiretamente colabora para que a doença não se prolifere”, afirma.

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