Extingue-se o Paiva com muitos defeitos, com péssimas instalações, e a fama da antiga psiquiatria do tempo dos choques, depósitos de incapazes humanos, cada vez cronificando-os mais. Enfim, era o manicômio, quem estava lá estava carimbado como louco.
O nosso prefeito, na sua primeira gestão, como mestre na psicologia, começou bravamente com seus estudos a desestitui-lo, formando os Caps. O pensamento dos psicólogos e psiquiatras de outras cidades e aqui também já estava sendo implantado, exemplo: Marília, Itapira, Jaú, Sorocaba etc, de se internar o paciente só em últimos casos, quando punha a vida em risco, e a família já não tinha como lidar com a situação, então internava-se no prazo máximo de 30 dias com apoio de visitas todos os dias (parte da terapia), com psicólogos, médicos que se atualizaram, remédios de última geração, até que o paciente estabilizasse com remédios certos, e não arriscando as combinações dos remédios em casa até o dia dos médicos acertarem, e até que isto aconteça, em casa já adoeceu toda a família, porque estes transtornos são ingratos, traiçoeiros e judia, a vida familiar vai se definhando.
Ninguém que acabou com o velho Paiva, autoridades, médico, teve um caso deste em seu lar, tendo que vigiar o paciente 24 horas, a casa vira um terrorismo, com medo de suicídio ou de fugir vulnerável a tudo de ruim nas ruas até achá-lo.
Mas o prefeito optou pelos Caps, também parabenizo-o pela brilhante idéia, não há quem se atreva a por um defeito nos Caps, lógico que o maior defeito é falta de médico, mas isso é municipal, e todos os profissionais que lá estão (com pequena exceção) se desdobram, os poucos médicos fazem de tudo para atender os usuários para não ficarem sem consulta, sem remédio, sem psicólogos. Uma equipe trabalhando arduamente em prol dos pacientes, lutando com o que tem, porque há necessidades, mas eles fazem seus papéis e vencem no limite.
Mas mesmo os Caps trabalhando como um relógio suíço, há necessidade do hospital psiquiatra, porque até certo ponto dá para tratá-lo em casa, mas depois se torna impossível, como já falei um pouco, e essa parte dos pacientes que precisa da internação, eles e as suas famílias estão agonizando, implorando, os médicos orientados a não mandar para Jaú. Sofri com meu ente dois anos com medo deste hospital, mas chegou uma hora que teve que ir, mas pedi ao médico do PS para interná-la, pois no Caps nem pensar, e a realidade lá é outra. Esses pacientes que precisam da internação sem hospital e sem vaga em Jaú, o manicômio se instalou dentro da sua casa. Na mesa redonda no Teatro Municipal comemora-se a Luta Anti-Manicomial, hipócrita, pois o manicômio só mudou para vários endereços (residências).
O prefeito falou que até o final de seu mandato faria o Caps 3. Se fizer não é qualquer casinha, pois é muita gente e a estrutura exige muito, pois é diferente de um hospital comum, e sabe-se lá se vai fazer ou não, que até hoje não voltaram os psiquiatras nos postos de saúde, o que será do paciente e família, dá para comemorar a Luta Anti-Manicomial?
Donzilio Quaggio