Não sei se estou cego, surdo e mudo, bem, se mudo saio da mudez para debater sobre a instalação desta instituição Paula Souza no Interior. Para este assunto vou esclarecendo que possuo três diplomas técnicos dos quais muito me orgulho de estar inclusive registrado num órgão de classe que muito me subsidia para falar um pouco disto. Digo pois que ao terminar o meu terceiro colegial, fiquei à mercê dos vestibulares caros e de dificílimas possibilidades de adentrar uma faculdade, isto ainda porque não havia nenhum governo tentando inserir os menos favorecidos como vem fazendo o governo atual. Restaram-me então os cursos técnicos bem mais baratos e acessíveis, e inclusive um que até o fiz por correspondência. Não falo só de mim, pois conheço muitas pessoas que hoje exercem condignamente uma profissão gerada nestes moldes.
Portanto, venho manifestar sobre as recusas que várias escolas vêm fazendo a estes projetos uma vez que morando na periferia (Gasparini) vejo algumas pessoas, principalmente bons jovens, enfrentando várias dificuldades para freqüentar um curso técnico “pago”, seja de administração, enfermagem, computação, entre outras... Ainda observo que antes do hoje deputado federal sr. Paulo Renato de Souza instituir o Enam, hoje Enem, as escolas, além da falta de professores, sofriam com a marginalidade na porta e com as fugas das salas de aulas, “piração” principalmente às sextas-feiras. Por isso tudo acho totalmente interessante se ao menos o meu bairro pudesse contemplar muitos “bons jovens” que anseiam alguma profissão, ainda que técnica. Seria muito bem-vinda, pois estes jovens nem precisariam ter gastos com condução, e sua adesão aos cursos só dependeria do seu interesse. Além disso, todo curso técnico exige uma carga curricular estudantil que inclui as principais matérias do ensino obrigatório. Esta é a minha palavra, mas talvez ainda esteja cego e surdo.
Obs: será que as escolas das cidades da região de Bauru estão cegas, surdas e mudas...?
José Rodrigues de Souza