Curaçao recebeu mais de 200 brasileiros no Réveillon de 1995 e depois disso ficou uma temporada esquecida dos roteiros de férias das operadoras nacionais. Dizem que por ser economicamente autosuficiente – é sede de uma imensa refinaria de petróleo, de um porto agitado e de um comércio que funciona como zona franca – não precisava fazer propaganda de suas belezas, mas por conta da troca de figurinhas entre quem foi e aprovou, voltou ao cenário com seu “skyline” colorido, sua baía de águas mansas mais azuis do que a cor do céu e praias paradisíacas.
Pertinho de Aruba e de Bonaire, Curaçao difere de suas vizinhas por ser uma ilha completa. É um lugar de verdade. Uma cidade com cerca de 135 mil habitantes dividida em vários bairros. Nada a ver com “paraísos” fabricados pelo homem.
Atende aos anseios dos viajantes em cheio, oferecendo um roteiro que vai muito além da reclusão total em resorts de luxo. Tem história, tem cultura, tem um comércio agitado, saborosa gastronomia, cavernas que resultam de formações vulcânicas, piscinas naturais onde famintos tubarões, flamingos cor-de-rosa e doces golfinhos dão um show... Isso sem falar no clima sempre agradável e na amabilidade de seu povo sorridente, pronto para servir.
Com tanta coisa a favor, claro que não poderia continuar quietinha, sem divulgar o bem bom. Hoje, por conta de operadoras como a CVC e de companhias aéreas como a Avianca, voltou a ser freqüentada também por brasileiros, que podem trocar figurinhas nos hotéis e pontos turísticos com viajantes de todas as nacionalidades. A maioria, por obra da colonização, inclui holandeses altos, loiros, de olhos azuis, com a família toda à tiracolo.
Basta dar um rolê para se inteirar da vida na ilha. Os curaçolenhos falam no mínimo quatro idiomas: inglês, holandês, espanhol e papiamento. E é aí que a coisa rola. Nós, brasileiros, conseguimos entender e nos fazer entender nessa mistura de sotaques, palavras, sons.
Por toda parte é um tal de “bon bini” daqui, “bon bini” dali que a gente se sente em solo brasileiro. “Bon bini” em papiamento quer dizer ‘bem vindo’. E todos se sentem assim quando desembarcam no colorido e moderno aeroporto da cidade. Ele é todo pintado de amarelo, cor predominante em casas, sobrados, nas fachadas do comércio da ilha.
Conta com um sistema de ventilação – e não de ar-condicionado – para que o turista vá se aclimatando, já que faz calor na ilha, mas um calor gostoso, seco, que não mela. E venta, o que ameniza a temperatura, para que todos possam tomar todas as pinãs coladas, margheritas e cervejas Amstel, que constituem o arsenal alcoólico do lugar.
Depois de passar pela Alfândega de lá – não se estresse se revirarem suas malas e ficar uma fila de 20, 30 pessoas –, vá se comunicando em papiamento: Se te perguntarem assim: “Kon ta bai?”, responda amigavelmente: “Mi ta bom” (Vou bem). E irá mesmo dali para frente.