São Paulo - A fabricante de medicamentos alemã Boehringer Ingelheim decidiu retirar do mercado os xaropes Silomat e Silomat Plus, que são usados para o tratamento da tosse. A medida foi tomada depois que estudos feitos pela empresa na Europa indicaram que a substância cloridrato de clobutinol, base dos medicamentos, pode causar arritmia cardíaca.
Além do Silomat, a substância está presente em medicamentos genéricos apresentados em 12 variações, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Até as 19h, a agência não havia informado se seguiria o mesmo procedimento do laboratório e recolheria os genéricos.
O Silomat é vendido no Brasil há 40 anos, e sua versão Plus, há 24. Eles eram consumidos por cerca de 2 milhões de pessoas por ano e as vendas aconteciam sem a necessidade de apresentar receita médica. De acordo com o diretor médico científico da Boehringer Ingelheim no Brasil, José Carlos Breviglieri, a iniciativa de retirar os medicamentos do mercado partiu do próprio laboratório. “Estamos fazendo isso como uma medida preventiva e uma medida ética.”
Desde ontem, equipes percorrem as farmácias para fazer o recolhimentos dos produtos. Breviglieri afirma que os pacientes que consumiram os medicamentos não devem se preocupar, pois a arritmia só poderia ocorrer durante o uso dos remédios, e não após.
A Anvisa informou que nunca houve registro de problema de arritmia relacionado ao uso do medicamento no Brasil. A Boehringer, por sua vez, diz que não houve nenhum problema grave desde o lançamento do produto no mercado mundial. Foram dois casos de usuários do medicamento que apresentaram arritmia que levaram a empresa a investigar a possível correlação. Quarenta e oito pessoas participaram dos estudos e a arritmia cardíaca foi verificada em algumas delas.
Ressarcimento
Segundo Breviglieri, os usuários não devem jogar os produtos fora porque o laboratório está estabelecendo um plano de ressarcimento. “O paciente poderá ir até a farmácia e será ressarcido.” O diretor de fiscalização do Procon, Paulo Arthur Góes, afirmou que o consumidor tem esse direito. “Quem comprou deve levar a nota fiscal ou então será ressarcido pelo preço de mercado”, diz. Ele afirma também que o laboratório deve fazer uma campanha de comunicação por TV, rádio e meios impressos para informar como devem proceder as pessoas que compraram os medicamentos.