O presidente Lula demonstrou bom humor e procurou manter a informalidade no decorrer dos 90 minutos de duração da entrevista concedida na manhã de anteontem a representantes de 10 jornais regionais e da APJ, no Palácio do Planalto.
Depois de um atraso de 20 minutos, o petista entrou na sala de reuniões às 10h20 ao lado do ministro Franklin Martins e do chefe de gabinete Gilberto Carvalho, que se retirou em seguida. Cumprimentou os 11 jornalistas individualmente. Pouco depois, chegaria a secretária Miriam Belchior, ex-mulher do prefeito assassinado de Santo André Celso Daniel (assessora e especialista em números do PAC).
A Miriam, Lula recorreu quando precisou de informações adicionais sobre o programa que é a vitrine de seu governo. Tida como ‘braço-direito’ do time palaciano, a secretária usou um banco de dados minucioso e ágil a ponto de fornecer quase em tempo real as estatísticas que subsidiam a loquaz retórica presidencial acerca das obras de sua gestão.
O presidente introduziu a entrevista dizendo-se aberto a responder a qualquer questão, sem restrições. Fez um comentário elogioso ao papel da mídia regional e distribuiu sorrisos.
No transcorrer do encontro, só mostrou desconforto ao abordar temas alusivos ao mensalão. A irritação, entretanto, só foi mais evidente quando questionado sobre a intenção do ex-deputado Roberto Jéfferson (PTB) em arrolá-lo como testemunha no processo a que responderá no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva. “Isso é problema dele. Quando receber a intimação eu vejo o que faço”, reagiu.
Olhando fixamente para os interlocutores, Lula fumou três cigarrilhas holandesas da marca Cafe Crème. Depois de 40 minutos de conversa, pediu aos garçons que servissem café.
Às 11h13, foi alertado por seu ‘staff’ de um compromisso com um telefonema internacional às 12h, momento a partir do qual procurou abreviar o tempo de suas respostas, embora se empenhasse em demonstrar familiaridade com os temas abordados, sempre que possível relembrando passagens pelos Estados brasileiros representados na entrevista coletiva.
Ao final da conversa, permitiu diálogos informais antes de posar para a foto com o grupo. Enquanto era clicado dos mais diversos ângulos, brincou: “Não sabia deste telefonema, mas é até bom porque se deixarem, eu falo além da conta.”
Além da APJ, estavam representados no evento os jornais Zero Hora (RS), Hoje em Dia (MG), O Dia (RJ), Gazeta do Povo (PR), O Popular (GO), A Tarde (BA), A Crítica (AM), O Liberal (PA), Jornal do Commercio (PE) e O Povo (CE).