Bairros

Terceira idade representa 11% da população de Bauru

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Não é por acaso que a atenção ao idoso ainda carece de alternativas, mesmo com os programas realizados pela Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) do município. O fato é que Bauru envelheceu ao longo dos anos e a tendência é que esse envelhecimento continue e de forma acelerada. Para se ter uma idéia, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostram que em 2001 a cidade tinha 33.681 habitantes com idade acima dos 60 anos, o que representava 10,49% da população.

Atualmente este número já atingiu 11,32%, ou seja, 39.968 bauruenses têm mais de 60 anos de idade. Projeções da Fundação Seade vão além e apontam que os bairros de Bauru contarão com 44.061 pessoas com esta faixa etária entre seus moradores. Os idosos serão 11,98% da população da cidade, que terá 367.529 habitantes, segundo estimativas da fundação.

O aumento esperado de 17,76% na quantidade de idosos em Bauru para os próximos quatro anos ajuda a dar uma idéia de como é rápido o envelhecimento da população, tanto aqui quanto no restante do País.

Uma pesquisa realizada pela pós-graduação em saúde coletiva da Universidade do Sagrado Coração (USC) indica que em 25 anos, de 1980 a 2005, enquanto a população geral aumentou 87,80%, a de pessoas com mais de 60 anos cresceu 149,37% e a de indivíduos com mais de 80 anos subiu 223,36%.

No primeiro ano analisado, quando Bauru comemorou seu 84.º aniversário, foram registrados 186.659 habitantes, dos quais 14.604 tinham 60 anos ou mais. O aumento proporcional registrado entre 1980 e 2005 na população total da cidade foi de 87,8%. Já no valor referente aos idosos, o salto foi superior a 150%.

Há uma razão para tamanha disparidade na forma como ocorre o crescimento da população bauruense. “A base formada por crianças e jovens está encolhendo enquanto a composta por idosos está sendo ampliada”, explica Herman Vos, pesquisador do Data-ITE, órgão ligado à Instituição Toledo de Ensino, que também realiza estudos relacionados ao assunto.

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Expectativa de vida

O envelhecimento da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está relacionado basicamente com dois fatores: diminuição da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida. Embora ainda esteja entre os países mais populosos do mundo, o crescimento relativo da população vem diminuindo desde a década de 70. No período de 1992 a 2002, a taxa bruta de natalidade em determinado ano passou de 22,8% para 21%.

O número de filhos por mulher também diminuiu. Em 1992, a média era de 2,7 filhos por mulher. Em 2002 passou para 2,4 filhos. Entre as causas deste declínio estão: o fácil acesso a métodos contraceptivos, os elevados custos de criação de uma criança e a inserção da mulher no mercado de trabalho.

Em contrapartida, cresce a expectativa de vida no País. Em 1992, o tempo médio de vida do brasileiro chegava a 66,3 anos. Em 2002 era de 71 anos. As melhorias na rede de saneamento básico e os avanços na área de saúde, como a difusão de programas de vacinação, o desenvolvimento de novos medicamentos e a ampliação do sistema de assistência médica, também contribuíram para o envelhecimento da população.

Até recentemente, este quadro era típico de países desenvolvidos. Atualmente, diversos países da América, embora ainda tenham a maioria da população jovem, vivem um acelerado processo de envelhecimento. O Uruguai, por exemplo, tem uma proporção maior de idosos do que Canadá e Estados Unidos. Vários países da América Central e do Sul já possuem uma população de idosos superior a 10% dos habitantes.

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