JC Criança

Para ver a banda passar...

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 5 min

Bate bumbo, bate caixa, bate surdo.

Soa alto o trombone e romântico o fluegel horn, bufa a tuba!

Vem marchando a banda, que toca na praça, que toca em desfile, que toca em teatro... Dia 7 de setembro, sexta-feira, é dia de ver a banda passar! Ouvir sambas, marchas, músicas infantis...

E você deve estar achando: “Mas que mistureba”! É que 7 de setembro é Dia da Independência do Brasil. Dia de desfile cívico e de ouvir as bandas no Sambódromo a partir das 9h. Dia em que há 185 anos o príncipe regente Dom Pedro deu o grito “Independêeeeeeeeeeeeeeenciaaaa ou mooooorrte!” às margens do riacho do Ipiranga em São Paulo.

Todos os anos, no dia 7, é isso: as bandas marciais, chamadas assim porque têm sua origem nos exércitos, tiram a poeira dos uniformes e vão para a rua. Bem, tudo isso é quaaaaaaase verdade. A parte mentirosa é a da poeira!

Bauru ainda conserva bandas em escolas e instituições diversas, como a Polícia Militar (PM), e esses conjuntos são muito ativos e legais! O JC Criança foi conhecer duas bandas e alguns de seus integrantes, crianças como você.

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A banda do saci

Um saci! É! Um saci-pererê é o símbolo da Banda Marcial do Colégio Liceu Noroeste. O grupo, que existe desde a década de 30, foi mais de três dúzias de vezes campeão em concursos estaduais para bandas. Também foi quatro vezes campeão nacional e viajou várias vezes para se apresentar no Chile e na Argentina.

Legal, né?! Bom, o maestro Adalberto Alves da Costa contou que muita gente famosa do mundo da música passou pela banda do Liceu. Hoje, são 72 pessoas envolvidas com o grupo, muitas delas crianças.

Para entrar no grupo e aprender a tocar algum instrumento não precisa saber música, o maestro ensina. “Os instrumentos são apresentados e as crianças podem experimentar, ver se há ‘empatia’ na forma de tocar”, conta Adalberto.

Com Lucas Henrique Bello Domingues, 12 anos, 7º ano, aconteceu exatamente isso. “Comecei a tocar melofone na Banda do São Francisco (colégio). Ano passado vim para cá e tentei tocar fluegel, mas não deu certo. Hoje toco trombone”, conta.

Por outro lado, os irmãos Thainan e Ruan Augustinho Menezes, os dois com 12 anos e cursando o 7º ano, foram direto para o trombone. Thainan diz que seu pai tocava trompete, mas que se interessou mais pelo trombone e adorou. “Eu gosto do som forte”, afirma. Segundo Ruan, muitas pessoas o aconselharam a tocar trombone. “É um pouco parecido com o meu jeito, sou meio estressado... Assim posso tocar firme”, completa, rindo.

E para quem pensa que só tem menino na banda, taí: Beatriz Marchesi Rodrigues dos Santos, 12 anos, 7º ano, também passou a fazer parte da “trupe” esse ano. “Eu comecei na comissão de frente com as bandeiras. Já fazia piano e achei que não fosse ter tempo. Minhas amigas participavam da banda e eu entrei. Hoje toco trombone também”, explica.

Outro guri da nova leva é Patrick Tenório de Oliveira, 12 anos, que cursa o 6º ano e toca trompete. Ele contou que todo ano no 7 de setembro via a banda e sempre quis participar. “Mas eu era de outra escola e não sabia que podia entrar na banda mesmo assim”, diz.

É, para tocar na banda do Liceu não precisa ser aluno da escola, mas é preciso boa vontade para aprender e tempo. Melanie Swidrak, 12 anos, 7º ano do Colégio Guedes de Azevedo, já estudou no Liceu e agora, mesmo em outra escola, faz parte da banda. “Toco fluegel e adoro, escolhi porque o som é romântico” conta Mel.

Para ela e a turminha da banda, a música, os amigos e os festivais são muito legais. A frase “É tudo legal” sai quase em coro quando a reportagem perguntou o que é mais, mais, mais legal de tudo. E para os colegas que não tocam e criticam a banda, Melanie diz: “Você não sabe o que tá perdendo”!

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Escute e dance

O JC Criança conheceu mais uma banda, a do Colégio São Francisco de Assis, na Bela Vista. O maestro Edson Luiz Cortez Fernandes a comanda desde 1998, ano em que o grupo nasceu. No repertório, clássicos como a canção “A banda”, de Chico Buarque, e novas músicas, como “Poeira”, de Ivete Sangalo. Dá até pra dançar!

O maestro conta que a banda têm 30 componentes divididos em instrumentos de sopro e percussão. Todos os músicos são alunos da escola. Além da parte musical, o grupo conta com uma comissão de frente. São as bandeiras, as balizas e o corpo coreográfico.

Calma! Já explico! As balizas são as meninas que vão à frente da banda, interpretando a música que está sendo tocada e muitas vezes fazendo malabarismos. O corpo coreográfico é como se fosse o “balé” do grupo.

A banda do São Francisco também participa de festivais de música, mas toca mais em Bauru do que em outras cidades. Este ano uma nova galerinha entrou para o grupo. Bianca de Araújo Carvalho, 8 anos e aluna do 3º ano, é a mais nova. “Meu sonho era ser baliza... Já fazia balé há cinco anos. Quero ser baliza pra sempre”, afirma.

Na parte musical, Gabrielli Nascimento Pereira e Ana Lívia Cruz Barreira, as duas com 10 anos e cursando o 5º ano, já se apresentaram com a banda. Gabi toca trompete, instrumento de sopro com bocal – parte em que o músico assopra – pequeno. “Me adaptei melhor ao trompete. Acho tudo muito legal na banda, a apresentação de sábado passado no Calçadão foi a mais legal. Tinha muita gente assistindo”, conta.

Também com um instrumento de sopro, o trombone, Ana conta que seu avô integrava a na banda da Polícia Militar e que ela achava um máximo vê-lo tocar. “Tentei os pratos, mas não gostei muito, aí passei para o trombone, igual ao meu avô”, explica.

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