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Barbárie em pleno século 21


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Com assombro vemos notícias do fim de mais uma festa do peão de Barretos, emissoras de televisão e grandes empresas chegam a apoiar tal atrocidade como se isso fosse algo aceitável para pessoas com o mínimo de inteligência e por isso merece atenção de todas as pessoas socialmente responsáveis o projeto de lei do deputado Ricardo Tripoli que estabelece normas para garantir o bem-estar dos animais visto que, em alguns países, as experiências em laboratórios já foram proibidas. Estamos no terceiro milênio e ainda assistimos estarrecidos a volta do ser humano ao tempo das barbáries, como alguns experimentos em que são colocados cosméticos em olhos de coelhos a ponto de cegá-los, a fim de lançá-los no mercado sem risco ao ser humano. Mas ainda mais cruéis são os abusos feitos em nome da diversão. Embora já proibida por lei a farra do boi em Santa Catarina leva centenas de pessoas a se “divertirem” com a desgraça de um animal. Levados pelo lucro fácil e se utilizando da boa fé e ignorância de boa parte do público que desconhece os procedimentos para que se possam realizar os famigerados rodeios, alguns grupos de empresários e políticos incompetentes ainda insistem com essa prática originária do Texas, Estados Unidos, alegando ser uma tradição brasileira, o que se logo vê ser uma grande mentira pois, as pessoas fantasiadas de cowboy em nada lembram os nossos humildes caipiras. O rodeio nos lembra, sim, um desfile de escola de samba, onde as pessoas desfilam com seus trajes americanizados ridículos de forma a se exibirem. Se você já foi a um rodeio, com certeza não viu nem 10% do que ocorre nos bastidores da arena para que o dócil animal vire, como por encanto, um animal bravio. Para que isso ocorra é colocado no touro um apetrecho com o nome de sedém, que é uma cinta contendo elementos pontiagudos amarrada no corpo do animal e ao ser puxada, comprime-lhe as virilhas e dessa forma, faz com que o manso animal saia em disparada pulando e corcoveando, a fim de se livrar do inconveniente sedém, que lhe provoca dor e tormento. Quem assiste a tudo isso pensa que o animal pula a fim de derrubar o “valente” peão, que se mostra na verdade ser um covarde idiota. Esses mesmos organizadores de rodeios afirmam que o sedém não provoca dor e sim cócegas nos animais. Até hoje nunca se viu um animal com o sedém a comprimir-lhe os órgãos genitais, pulando e dando risadas. Para quem assiste a essa “festa” covarde e não conhece seus detalhes, fica com a impressão de que o animal é bravo, quando na realidade, enquanto estão na arena antes de se começarem as montarias é de se surpreender a doçura dos mesmos. Esporas pontiagudas ou não, ferem ao serem fincadas com força e violência nos animais. São utilizadas também peiteiras que consistem em cordas de couro fortemente amarradas ao peito do animal, provocando sensações de dor e asfixia.

Frise-se que os maus-tratos não se reduzem às provas realizadas nas arenas, já que há longos treinos diários. Os piores abusos ocorrem antes do animal ser solto na arena, por recusar-se a entrar no brete. O animal é laçado duplamente, às vezes causando danos à coluna vertebral, sendo então obrigado a entrar no estreito cercado, às vezes sob incentivo de dolorosos choques elétricos, onde então é submetido a toda espécie de tormentos sendo espancado, recebendo golpes de pau, varas pontiagudas e de correias; puxões, areia e pimenta nos olhos, diversos pontapés na cara, sendo registrados casos de introdução de gengibre no ânus do animal e então, quando a porteira é aberta o sedém é tracionado comprimindo-lhe a virilha ao máximo. Após a queda do “valente cowboy”, um outro covarde, geralmente vestido de palhaço, o que lhe prova a total falta de inteligência, desprende a correia que aperta a virilha do animal, fazendo que dessa forma ele pare de pular. Caso ocorra algum imprevisto e se demore o afrouxamento do sedém, o touro continuará pulando por tempo indeterminado o que prova que o apetrecho causa tortura. No grande ABC várias cidades já aboliram através de leis essa farsa chamada rodeio, a partir de um trabalho desenvolvido pela União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), junto aos vereadores. Recentemente houve uma tentativa de se burlar a lei que proíbe essa prática, nas cidades de Diadema e São Caetano, ocorrendo um grande fiasco, pois as promotorias públicas agiram bem impedindo os rodeios, liberando somente as festas com artistas sertanejos.

O autor, Rodrigo Marcos Bianco, é colaborador de Opinião - e-mail: comercialbianco@yahoo.com.br

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