E Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, diz a tradição judaico-cristã, mas semelhança, sabe-se, não é identidade. A humanidade é heterogênea, posto ser fácil salientar as sugestivas singularidades que traz cada indivíduo. Questiona-se então: diferenças são problemas ou riquezas para quem sabe delas usufruir? Tudo é relativo, diz o filósofo, porém, é o valor prático da subjetividade humana que se deve buscar, pensa o pragmático. Enxergar as diferenças existentes é o mínimo para o indivíduo frente ao seu mundo que, com tantas faces, apresenta-se a ele.
A ciência já mostrou: somos um planeta entre outros. A evolução humana vem revelar: somos muitos povos num mesmo mundo. A filosofia explicita: o homem nem parece o mesmo se em tempo e espaço diferentes. Compreender tal realidade é apenas um passo, pois conviver com ela é a chamada mais urgente e tão necessária, por exemplo, ao mundo contemporâneo.
Virtude moral plausível ou regra básica de convivência, não importa. Enxergar, aceitar e ainda produzir benefícios com a singularidade que há em cada pessoa ou povo, eis aí o desafio do ser social, o homem, no meio em que está inserido. Poder-se-ia, não de modo utópico e apenas abstrato, mas para a realidade concreta e palpável, pensar a pluralidade humana como causa de crescimento objetivo para todas as divisões e sub-divisões da sociedade mundial. Isso apenas para que não se caia na loucura ególatra de tentar criar a “raça pura”, como fez Hitler e dizimou multidões do que há de mais valioso em nosso mundo: o ser humano, com sua subjetividade que o torna especial.
Wellington Anselmo Martins