Para evitar brigas com outros animais e possíveis ataques a pessoas, donos de cachorros de raças consideradas ferozes, como pit bull rottweiller e mastin napolitano, estão passeando com seus animais de estimação em horários alternativos em Bauru. Ao invés do tradicional passeio de final de tarde, eles estão preferindo sair de casa mais tarde, quando a maioria das pessoas já está descansando em seus lares.
Pellegrino Bacci Neto, secretário do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, informa que já faz algum tempo que a entidade não recebe queixas de moradores sobre pessoas passeando com cães bravios sem focinheira, guia e enforcador, como determina a lei municipal.
Ele observa que para garantir a segurança dos moradores que costumam caminhar pela avenida Getúlio Vargas no final da tarde, os proprietários destes cães estão preferindo sair com os animais de estimação durante a noite. “Por volta das 21h30, 22h. Os donos mais responsáveis mudaram o horário para não ter perigo. Não há tantas pessoas caminhando, nem outros cachorros que possam provocar brigas nesse horário”, avalia.
Ele mesmo é dono de uma pit bull e aproveita para sair com a cachorra nestes horários. Durante três dias, a reportagem do Jornal da Cidade procurou, mas não achou cachorros dessas raças passeando nas avenidas Getúlio Vargas, Nossa Senhora de Fátima, Lúcio Luciano e Edmundo Carrijo Coube, entre as 17h30 e 19h. Os cães que acompanhavam seus donos não eram de raças consideradas ferozes.
Quem trabalha na Getúlio Vargas, comprova a mudança de comportamento dos proprietários de cães ferozes. Mara Carvalho que trabalha em uma floricultura na quadra 7, diz que está difícil topar com um pit bull ou com um rottweiller pela avenida no final da tarde. “Fico até as 21h aqui e é uma vez ou outra que passa um cachorro desses”, conta.
Na quadra 9, Jucilene Camargo, recepcionista de uma academia, concorda. “É difícil passar um cachorro dessas raças. Cachorrinho é mais comum. Até labrador já vi, mas nada mais perigoso. Antes passava bastante”, informa. O vendedor de uma loja de artigos automobilísticos, Antônio Carlos da Silva, diz que as raças mais comuns de serem vistas são poodles, lhasas apsos, shih-tzus e yorkshires. “Está bem raro passar pit bulls, por exemplo. Não tenho visto”, afirma.
Há dois anos trabalhando numa pizzaria da quadra 17 da Getúlio, Armando Eisi Honda avalia que no começo da noite realmente está mais difícil topar com um cão de raça feroz. “No horário que tem mais gente caminhando na avenida é difícil encontrar algum cachorro”, diz.
Mas ainda tem proprietário que prefere o final da tarde para passear com seu cão. “Na semana passada eu vi uma pessoa aqui perto com um desses cachorros grandes por volta das 17h30. Não sei qual a raça, mas era daqueles que você tem que sair de perto”, conta Valdenice Alves Bonfin, funcionária de uma pizzaria na quadra 1 da avenida.
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Fiscalização
Neste ano, até agosto, foram registrados quatro casos graves de ataques de cães em Bauru. Todos eles, da raça pitt bull. Em todos os casos, os cachorros não seguiam as leis estaduais e municipais para animais de raças ferozes, que é estar com focinheira, guia e enforcador. Pela lei municipal, os donos de animais que se mantiverem em condições irregulares estão sujeitos a multas que vão desde R$150,00 até R$ 1,5 mil, de acordo com a gravidade da situação constatada.
De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses, entre 2006 e 2007 foram registradas quatro notificações por condução inadequada de animais, que possam oferecer riscos a terceiros, em vias públicas.
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Chip
Em Minas Gerais, a prefeitura de Belo Horizonte começou a implantar nesta semana microchips em cachorros da raça pit bull. Os dispositivos têm o tamanho de um grão de arroz e armazenam informações do bicho, como local do nascimento, idade e vacinas e também do proprietário, como endereço, telefone RG e CPF. A decisão foi tomada para evitar o abandono de cães da raça, além de recuperar cachorros fujões.
Desde o ano passado, é possível encontrar em Bauru clínicas veterinárias que implantam chips de identificação em animais de estimação. O dispositivo é colocado sob a pele do cachorro ou gato e reúne informações sobre o animal e seu dono. Com um aparelho específico para a leitura do chip, rapidamente é possível saber as informações sobre o animal e a quem ele pertence. O chip é feito em um material semelhante a vidro e não é prejudicial aos animais. O dispositivo tem duração de 25 anos e sua implantação custa em média R$ 50,00.