Política

Preço de caixão expõe ‘custo Emdurb’

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O custo de cada caixão utilizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) expõe a profunda distorção entre o custo privado e o peso que recai sobre a população em razão da estrutura deficitária da empresa municipal. O contrato de aquisição de urnas assistenciais mantido pela Emdurb, assinado em julho de 2006, revela que esta paga apenas R$ 73,59 por unidade, mas a tabela do serviço funerário social repassado à prefeitura aponta exagerados R$ 1.345,11.

O prefeito Tuga Angerami e o presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, reconhecem a enorme distorção no setor, mas argumentam que não há como resolver a questão antes da terceirização desse segmento do serviço. A Emdurb contratou, por licitação, cada urna assistencial (a mais simples) por R$ 73,59 junto à empresa Serraria Santa Bárbara Ltda, com sede em Cordeirópolis (SP). Mas Barbieri argumenta que o valor 1.000% superior cobrado da população, através da nota fiscal de serviço lançada junto à prefeitura, refere-se a uma composição de custos que inclui a estrutura administrativa da Emdurb e as demais despesas da estrutura do serviço funerário.

O JC divulgou pesquisa junto ao setor privado, há poucos dias, mostrando que funerais com serviços mais completos que o oferecido pela Emdurb custam, também com caixão de melhor nível, pelo menos a metade do preço total cobrado. Apesar da enorme diferença e da justificativa de custos da estrutura, a empresa municipal não conseguiu apresentar quais despesas são relativas ao funeral e quais referem-se à estrutura de administração de cemitérios públicos na cidade. Conforme a Emdurb, os valores não estão separados.

Para Angerami, a situação vai ser resolvida com a terceirização do serviço de funeral. Mas ele ressalta que a gestão de cemitérios vai ser mantida pelo Poder Público, rebatendo argumentos de “desmonte do serviço público nesta área”.

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