Cássia Eller foi para as letras de Nando Reis o que Elis representou para as criações de Blanc/Bosco ou Bethânia é para a poesia de Chico Buarque: a voz ideal. Seu desaparecimento prematuro, em 2002, legou ao ex-titã o papel de principal defensor de canções como “O Segundo Sol”, “Relicário” e “No Recreio”.
E, como atesta o “Bem Brasil - Nando Reis”, que a Cultura exibe amanhã, às 17h, ele leva a pior na comparação direta. Já em “Relicário” (aqui estendida ad nauseum), segunda música do show gravado no mês passado no Sesc Pompéia (em São Paulo), a voz frágil desperta saudade do grave potente e desbocado de Cássia Eller.
Na seqüência, “As Coisas Tão Mais Lindas” e “All Star” ganham interpretações corretas, ainda que as letras não sirvam tão bem aos falsetes e gritos de Reis quanto ao timbre rascante de sua intérprete-fetiche. Completam o show idas e vindas no repertório de seis dos sete discos solo do cantor.
“No Recreio” representa “Para Quando o Arco-íris Encontrar o Pote de Ouro”, de 2000, e “O Segundo Sol” relembra “Infernal”, de 2002, enquanto “Monóico” e “Sou Dela” falam por “Sim e Não”, do ano passado. A destacar na banda que acompanha Reis é a presença da percussionista Lan Lan, que já se sobressaía anos atrás, nos shows de Eller.