Brasília - O advogado de Salvatore Cacciola, Carlos Ely Eluf, disse ontem que o ex-banqueiro terá hoje audiência com um juiz de Mônaco. Cacciola foi preso na sexta-feira e é considerado foragido pela Justiça brasileira desde 2000.
O magistrado poderá decidir abrir um processo de extradição, liberar Cacciola ou ainda dar um prazo maior para que as autoridades brasileiras justifiquem o pedido de extradição. “Ele não pode ser mantido detido em Mônaco porque não cometeu nenhum crime lá”, declarou.
Segundo Eluf, Cacciola está sendo defendido por uma advogada italiana que pedirá auxílio a advogados franceses ou de Mônaco. O pedido de extradição deverá ser enviado hoje pelo governo brasileiro.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, que está no Rio Grande do Sul, voltará a Brasília no fim da tarde de ontem e se reunirá hoje com a Polícia Federal e o Itamaraty para discutir a elaboração do documento.
De acordo com o advogado, Cacciola estava em Mônaco a passeio com sua filha Rafaela. Ele não deu detalhes da prisão de seu cliente e disse que ele está detido em um comissariado sob responsabilidade da Interpol.
Extradição
Eluf acredita que o juiz de Mônaco negará o pedido feito pelo Brasil porque não existe tratado de extradição entre os dois países. Pesaria também, segundo ele, o fato de ainda caber recursos contra a condenação e a decisão contrária da Justiça italiana a pedido semelhante feito pelo Brasil em 2001. “O juiz jamais daria extradição nessas condições”, disse Eluf. Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão em 2005 por crime de peculato (utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta.
O banco Marka quebrou com a desvalorização cambial de 1999. Na contramão do mercado, o Marka e o banco FonteCindam haviam assumido pesados compromissos em dólar. O banco de Cacciola apostou na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.
O BC socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, com a alegação de que a quebra poderia provocar uma crise sistêmica no mercado financeiro.